França apela a acordo e lembra que conflito cria "perdedores em todo o mundo"
O ministro francês da Europa e Negócios Estrangeiros apelou hoje a um acordo que ponha fim ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão, alertando que a continuação das hostilidades cria "perdedores em todo o mundo".
"Instamos as partes a concluir este acordo porque a situação é insustentável, já dura há demasiado tempo e só gera perdedores: perdedores nos Estados Unidos, perdedores no Irão, em Israel, mas também em todas as outras partes do mundo", afirmou Jean Noël Barrot numa entrevista ao programa Le Grand Jury, dos meios de comunicação RTL, Le Figaro, Public Sénat e M6, citado pela Efecom.
Segundo Barrot, França é "um dos poucos países, e provavelmente o único país ocidental, que mantém diálogo com todas as partes do conflito" e insistiu na necessidade urgente de um entendimento que permita reabrir o Estreito de Ormuz e estabilizar os mercados energéticos, afetados pela escalada da tensão.
O ministro destacou também o papel de França na iniciativa internacional, que lidera com o Reino Unido, para levar a cabo uma eventual missão de segurança marítima na região, assim que as partes em conflito cheguem a acordo que, segundo afirmou, conta com o apoio dos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos acolhem com grande interesse a iniciativa (...) de reunir cerca de 50 países para preparar uma missão internacional destinada, assim que as condições o permitam, a criar as condições para um rápido restabelecimento do tráfego marítimo nesse estreito, de modo que os abastecimentos possam continuar o mais rapidamente possível e, sobretudo, para que os preços comecem a baixar", disse.
Barrot recordou que Paris adotou sanções contra responsáveis iranianos ligados à repressão interna e ao programa nuclear, bem como medidas contra a Guarda Revolucionária do Irão, incluindo-a na lista de organizações terroristas.
O chefe da diplomacia francesa insistiu que qualquer solução deverá incluir o controlo do programa nuclear iraniano, das suas capacidades balísticas e do apoio de Teerão a grupos armados na região, como o Hezbollah, o Hamas e os hutis.
A França, acrescentou Barrot, vai continuar a condicionar qualquer eventual levantamento de sanções a progressos verificáveis nesse processo, em coordenação com os seus parceiros internacionais.
"Atualmente, o Irão está sujeito a um dos regimes de sanções mais rigorosos do mundo. Se, no âmbito de uma negociação, fosse considerado o levantamento de sanções, França teria necessariamente de estar envolvida e dar a sua aprovação", avisou.