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Mais de uma centena de professores continua sem provas para avaliar

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Foto Shutterstock

A Metaprof recebeu mais de uma centena de relatos de professores que, ao início da tarde de hoje, continuavam sem receber os exames nacionais para corrigir, contou à Lusa um responsável do movimento cívico.

"Temos relatos de cerca de 112 professores que se queixam de não conseguir aceder à plataforma onde estão os exames para classificar e alguns casos que dizem que ora têm acesso e logo depois deixam de ter acesso", explicou Pedro Brito, um dos autores do 'site' criado pelo movimento cívico MetaPROF.

O movimento recorda as declarações do ministro da Educação que, na segunda-feira, garantiu que os professores classificadores teriam dez dias úteis para a correção das provas.

No entanto, "neste momento esse prazo já não será cumprido, uma vez que o prazo final fixado é 10 de julho" , alertou o docente, que acredita que os professores não se negarão "a trabalhar durante todo o fim de semana, mas é preciso que os exames estejam disponíveis".

"Se chegarem amanhã ou depois de amanhã, irão fazer um esforço hercúleo e se for preciso trabalham a noite toda a corrigir os testes", acrescentou.

Na segunda-feira, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop) alertou para o facto de "muitos alunos correrem o risco de ver o seu trabalho avaliado de forma deficiente por docentes pressionados por prazos impossíveis ou, pior, sem habilitação legal específica para aquela disciplina".

O Stop foi um dos sindicatos que veio criticar a "confusão generalizada" do processo de correção dos exames nacionais.

Intitulado "Exames 2026: O caos documentado", o 'site' do MetaProf compilava na segunda-feira dezenas de falhas ocorridas durante a realização dos exames e problemas relacionados com a classificação das provas, testemunhos de professores e modelos de reclamação formal junto do Júri Nacional de Exames (JNE), Ministério da Educação e Provedoria de Justiça.

Além dos atrasos na disponibilização das credenciais necessárias para aceder às provas, noticiados nos últimos dias, os professores dizem que foram convocados para aquela tarefa docentes reformados, de outras disciplinas e até que já tinham falecido.

Relatam também folhas de resposta atribuídas ao mesmo aluno com caligrafias distintas ou exames com páginas em falta e respostas incompletas.

Também o movimento SOS Escola Pública relatou "falhas graves", tanto na implementação das provas, como no processo de classificação, atribuindo os problemas, em parte, à substituição "à pressa" do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).

Também na segunda-feira, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que a correção dos exames nacionais está a decorrer "dentro dos prazos previstos", garantindo que "nenhum aluno será prejudicado" com as falhas reportadas até agora no processo de correção.

Os exames nacionais continuam a realizar-se em papel, mas, pela primeira vez, as provas estão a ser corrigidas em formato digital, trabalho que deverá estar concluído até 10 de julho.

A 1.ª fase dos exames nacionais decorreu entre 16 e 26 de junho, começando depois a 2.ª fase, entre 16 e 22 de julho.

As notas da 1.ª fase devem ser conhecidas a 14 de julho e, uma semana depois, a 20 de julho, começam as candidaturas para os alunos que pretendam prosseguir os estudos no ensino superior.