ONU pede desbloqueio imediato de acesso a imprensa e redes sociais
A missão de direitos humanos da ONU na Venezuela pediu hoje às autoridades para desbloquearem de imediato o acesso às redes sociais e meios de comunicação social após o duplo sismo que atingiu o país.
"Nas próximas horas e dias, o acesso à informação será uma questão de vida ou de morte", declarou a Missão de Apuramento de Factos da ONU sobre a Venezuela em comunicado, acrescentando estar "profundamente alarmada e entristecida".
Dois fortes sismos, com magnitude de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, foram registados na quarta-feira à noite, provocando a morte de pelo menos 32 pessoas e ferindo mais de 700, segundo um balanço inicial das autoridades, que temem que o número de vítimas possa ser muito maior, sobretudo na região próxima de Caracas.
"É essencial que um compromisso pleno com os direitos humanos oriente todos os aspetos da resposta nacional e internacional a esta imensa tragédia", afirmou a missão da ONU.
"Como primeiro passo crucial, é vital que a Conatel [Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela], o regulador de telecomunicações do país, desbloqueie completamente o acesso às redes sociais e a todos os veículos de comunicação", observou, acrescentando que "não pode haver desculpa para não o fazer imediatamente".
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que classifica a Venezuela em 159º lugar entre 180 países no seu Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026, indica que o Governo fechou inúmeros órgãos de comunicação social, bloqueou conteúdos jornalísticos online e impôs restrições ao acesso à informação.
"Após anos de repressão e de controlo apertado da informação sob o governo de [ex-Presidente] Nicolás Maduro, as restrições à imprensa e ao acesso à informação agravaram-se com a intervenção militar ilegal dos EUA em 2026", segundo a RSF.
"O país está mergulhado numa incerteza significativa quanto às garantias de liberdade de imprensa, apesar da libertação dos jornalistas detidos no início deste ano", refere ainda a RSF no seu 'ranking' anual.
Segundo a organização não-governamental (ONG) Venezuela Sin Filtro, dedicada a documentar a censura, mais de 200 domínios de internet estão bloqueados na Venezuela pelos principais fornecedores de serviços de internet do país.
Em setembro de 2019, a ONU alargou o seu acompanhamento da situação na Venezuela com a criação, pelo Conselho dos Direitos Humanos, da Missão Internacional Independente de Apuramento de Factos sobre a Venezuela, para investigar, de forma independente, violações graves, incluindo execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e tortura.