MAI garante que não falhou coordenação entre polícias e secretas no caso das ameaças ao PM
O ministro da Administração Interna, ex-diretor da Polícia Judiciária, disse hoje que não houve falha de coordenação na informação entre polícias e secretas na investigação ao grupo de extrema-direita que ameaçou o primeiro-ministro, mas, admitiu, não foi tudo transmitido.
À margem da apresentação de um novo contingente regional da Frontex, a agência europeia de fronteiras, que se focará nas fronteiras externas de Portugal e Espanha, Luís Neves garantiu que não falhou a coordenação e a comunicação entre polícias e secretas no caso do Movimento Armilar Lusitano (MAL), um grupo de extrema-direita desmantelado pela PJ, acusado de crimes de terrorismo e que tinha uma lista com centenas de alvos, entre os quais o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"A informação que tinha que ser partilhada, tanto quanto eu julgo saber, foi partilhada, mas há sempre aspetos que importam melhorar", disse Luís Neves aos jornalistas.
O ex-diretor da PJ, que acompanhou, enquanto diretor, a investigação a este grupo extremista, garante que "não houve uma falha de coordenação", mas reconheceu que ao nível do Sistema de Segurança Interna não houve um acompanhamento da investigação.
Questionado sobre se as polícias e secretas que integram a Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT) sabiam tudo sobre a investigação, Luís Neves foi taxativo: "Eu vou falar enquanto fui diretor nacional [da PJ], não sabiam e se calhar em parte não têm que saber".
O jornal Público avançou na terça-feira que as secretas não foram informadas das ameaças do grupo extremista contra o primeiro-ministro e outros alvos políticos.
Hoje, Luís Neves insistiu que a informação relativa à lista de nomes e alvos apenas foi descoberta na parte final da investigação, quando os autores das ameaças já não representavam um perigo real, tal como já tinha sido avançado pelo Ministério Público.
"O que há é a descoberta de determinados nomes de pessoas relevantes no espetro político, na parte final da investigação, isto que fica bem claro, na parte final da investigação, quando já não havia uma ameaça, porque a ameaça foi anulada, com as detenções, com as prisões, com tudo esclarecido", disse Luís Neves.
A descodificação dos "milhões de dados" em telemóveis e outro material informático apreendido na investigação aconteceu já nos últimos meses da investigação, acrescentou Luís Neves, insistindo na necessidade de Ministério Público e PJ terem mais meios legais à sua disposição no que diz respeito a acesso a metadados.
Sobre o facto de o primeiro-ministro não ter sido informado da ameaça sobre si, Luís Neves reiterou que "não é normal, nem é aceitável" que Luís Montenegro ou qualquer visado tenham conhecimento pela comunicação social.