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Aguiar-Branco sublinha convergência com a China na defesa do multilateralismo

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Foto Lusa

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, destacou hoje, em Xangai, a importância do multilateralismo e da cooperação internacional, sublinhando que Portugal e China partilham uma visão comum sobre o papel das instituições internacionais.

Em declarações à agência Lusa, após um almoço com membros da comunidade portuguesa em Xangai, no segundo dia de uma visita oficial à República Popular da China, Aguiar-Branco afirmou que "há uma ideia comum da importância do multilateralismo" e da necessidade de respeitar o direito internacional na resolução de conflitos.

"A nova ordem internacional que, eventualmente, possa querer ser construída com a desvalorização do papel da Organização das Nações Unidas, não deve acontecer", disse, acrescentando que Portugal defende o reforço do papel da ONU como "plataforma multilateralista" para alcançar consensos.

O presidente do parlamento português referiu ainda ter agradecido o apoio chinês à candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028.

A visita decorre no âmbito da diplomacia parlamentar e inclui encontros institucionais e contactos com autoridades chinesas, sendo acompanhada pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal -- China, composto por deputados de cinco partidos.

Segundo Aguiar-Branco, esta presença multipartidária demonstra "o reconhecimento da importância da relação de Portugal com a China", que classificou como "uma relação que deve ser estimulada e desenvolvida em benefício de ambos".

O responsável sublinhou que os laços bilaterais têm vindo a consolidar-se nas últimas duas décadas, após a assinatura da parceria estratégica entre os dois países, com crescimento "brutal" das exportações e do investimento chinês em Portugal.

Em 2025, o comércio bilateral atingiu 9,4 mil milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 8,2%. Até ao terceiro trimestre de 2025, a China foi o quinto maior país de origem do investimento estrangeiro em Portugal, com um investimento direto acumulado de 14,4 mil milhões de euros, desde 2012, segundo dados oficiais.

Aguiar-Branco destacou também a relevância de Macau, considerando que o modelo "um país, dois sistemas" na região semiautónoma da China continua a ser reconhecido como uma base importante da relação bilateral.

A 20 de dezembro de 1999, a administração de Macau passou de Portugal para a China, sob o princípio "um país, dois sistemas", que garante à região alto grau de autonomia, sistema jurídico próprio, moeda e passaporte próprios, distintos da China continental.

"Senti, do lado chinês, uma grande confiança no que diz respeito às relações com Portugal", afirmou Aguiar-Branco, referindo ainda a disponibilidade para aprofundar a cooperação parlamentar e económica, nomeadamente em áreas como a transição energética e as energias renováveis.

Questionado sobre a posição chinesa face à guerra na Ucrânia, reiterou que a posição portuguesa é diferente da de Pequim, mantendo-se "inequívoca" desde o início do conflito.

"Condenamos a invasão e a violação do direito internacional e defendemos o respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia", disse, sublinhando que Portugal mantém essa posição "sem desvio de um milímetro".

Pequim tem defendido que é neutra no conflito, mas intensificou a sua relação política e económica com Moscovo, desde a invasão da Ucrânia.

A visita de Aguiar-Branco ocorre num contexto de retoma dos contactos políticos presenciais de Portugal com a China após a pandemia, incluindo recentes deslocações ao mais alto nível, como a do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esteve em Pequim em setembro passado.

Em Pequim, Aguiar-Branco reuniu-se com o vice-presidente chinês, Han Zheng, e com o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Zhao Leji.

Hoje, em Xangai, Aguiar-Branco participou em encontros com autoridades locais e visitou instituições culturais e de planeamento urbano, seguindo depois para Macau e Hong Kong, para contactos com as comunidades portuguesas e autoridades locais.