Bispo do Funchal entre os que defenderam redução dos valores das compensações às vítimas de abusos
O bispo do Funchal esteve entre os membros da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que manifestaram oposição às propostas iniciais de compensações financeiras a vítimas de abusos na Igreja, defendendo uma redução significativa dos montantes sugeridos.
Segundo informações avançadas pelo 7MARGENS e confirmadas por várias fontes da CEP, a reunião plenária extraordinária de 27 de Fevereiro, onde o tema foi discutido, "de forma acalorada", com posições divergentes entre os bispos.
Além de D. Nuno Brás, entre as vozes mais críticas às propostas da Comissão de Fixação das Compensações (CFC) estiveram os bispos do Porto e Viseu, que consideraram os valores apresentados demasiado elevados, tendo defendido a sua revisão em baixa.
A decisão final acabou por reflectir essa posição, com uma redução considerada "significativa" face à proposta inicial da comissão. Em alguns casos, de acordo com informação veiculada pelo Expresso, os cortes poderão ter atingido dezenas de milhares de euros.
"Foi uma redução significativa, diante do valor que apresentou a Comissão de Fixação das Compensações", afirmou o bispo José Ornelas em entrevista à agência Ecclesia. Segundo o Expresso, a redução pode ter chegado às dezenas de milhares de euros em alguns casos.
O também bispo de Leiria-Fátima justificou a descida dos valores em relação à proposta inicial da Comissão com a "jurisprudência dos tribunais portugueses", a comparação com montantes atribuídos por outras Igrejas da Europa, "tendo em conta também as diferenças de nível de vida", e as possibilidades da Igreja Católica em Portugal.
Numa outra entrevista à agência Lusa, citada pelo Expresso, José Ornelas sublinhou os mesmos argumentos e acrescentou que "a Igreja em Portugal não é uma Igreja rica". Referiu que na França e Alemanha os valores máximos das compensações se fixaram nos 60 mil e 50 mil euros. "Posso aceitar que alguém ache pouco", afirmou, mas "quem quiser pode avançar com uma queixa e as pessoas podem sempre recorrer aos tribunais". E assumiu que ele próprio comunicou pessoalmente a decisão aos membros da comissão, um a um.