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Dançando com a Diferença estreia 'Este Mundo' quinta-feira em Serralves

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A companhia Dançando com a Diferença estreia, na quinta-feira, em Serralves, no Porto, "Este Mundo", uma coreografia de Bouchra Ouizguen que marca a passagem da escuridão do preto até à luz do branco por silêncios, abraços, gestos e explosões.

Em declarações aos jornalistas, à margem de um ensaio de imprensa, esta tarde, o diretor artístico da companhia, Henrique Amoedo, explicou que o convite à coreógrafa marroquina nasce do "momento de antropofagia" que a Dançando com a Diferença quer atravessar.

Integrado no festival internacional de dança contemporânea Festival Dias da Dança, que decorre no Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos, entre quinta-feira e dia 19, "Este Mundo" é o mais recente trabalho daquela companhia formada em 2001, na ilha da Madeira.

"Neste ano, o 25.º, preparamos a nossa destruição interna, uma espécie de antropofagia (...) Nós crescemos muito, milhões de solicitações, viagens, estávamos na loucura de qualquer companhia de dança que cresceu, talvez desmedidamente", apontou.

E continuou: "O trabalho da Bouchra é como se colocasse um travão nisso, falasse para ter calma e voltar a olhar para a companhia. Todo o processo teve muito silêncio, muita calma, trabalho com os intérpretes, olhando para eles próprios e obrigando toda a estrutura a rever-se", explicou.

Segundo Henrique Amoedo, "Esse Mundo" é o resultado de quatro residências artísticas, na Madeira e em Marrocos, em que os bailarinos "estiveram fechados 10 dias entre eles".

"É uma forma de fazer todo o mundo voltar a olhar para si próprio e depois isso está no palco. Como a gente percecionada cada um, a alegria de cada um, a precisão de cada um, mas não uma precisão forçada. Cada uma sabe o que tem de fazer, e com uma segurança enorme", descreveu.

Também a coreógrafa salientou o processo de criação e a interação com os bailarinos, salientando a "linguagem criada" entre ela e eles: "Tivemos de encontrar uma linguagem em que não fosse necessário ninguém traduzir, uma linguagem com beijinhos, olhares, abraços, pequenas coisas, que, passo a passo, fomos abandonando as palavras, até algo mais simples e profundo", disse.

O espetáculo parte do som de sinos e do preto. Palco escuro, uma bailarina vestida de preto, a quem se juntam depois mais três bailarinas e um bailarino. De música em música, há movimento, há silencio, abraços, beijos, cumplicidades e vai aparecendo cor, explosão de alegria. Ouve-se Fado, acaba com ritmos de Bollywood.

"Há um bocadinho de luz dentro do preto. A Madeira tem um nascer do sol magnifico, mas para o ver, temos que nos levantar na escuridão e ver a passagem da escuridão para a luz, mas o preto também nos permite concentrar nas coisas mais simples", explicou.

Quanto à música, Bouchra Ouizguen referiu que é um "mix entre o que há de próximo entre Marrocos e Portugal".

"O som dos sinos ouve-se durante o dia Na Madeira, como em Marrocos se ouvem orações. A música foi escolhida com os dançarinos também, perguntei se gostavam, se a sentiam, foi uma conversa com eles", salientou.

"Este Mundo" sobe ao Palco de Serralves na quinta e na sexta-feira, pelas 21:30 e segue para a Bélgica, integrada no Festival Des Arts, em maio, seguindo-se, em outubro apresentações em Paris e regressa aos palcos nacionais em novembro, apresentando-se em Viseu (dia 13) e em Lisboa (19 e 20).