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Madeira

Rui Marques rejeita que Juntas sejam “parente pobre” do poder local

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O presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol defendeu, na tomada de posse dos órgãos da ANAFRE Madeira, uma maior valorização dos eleitos locais, sublinhando que não há “autarcas de primeira” nem “autarcas de segunda”, mas sim agentes de proximidade que estão na linha da frente quando a população mais precisa.

Perante muitos autarcas presentes, Rui Marques destacou o papel desempenhado pelos presidentes de Junta, sobretudo em momentos de maior dificuldade, lembrando o apoio prestado durante os episódios de intempérie registados este ano em Portugal. Segundo afirmou, foram muitas vezes estes autarcas os primeiros a acudir as populações, incluindo em localidades que ficaram isoladas, tomando medidas imediatas no terreno.

“Os autarcas não são autarcas de primeira nem autarcas de segunda. São autarcas. São aqueles que trabalham no dia-a-dia junto da população, são aqueles que acolhem em primeira instância as pessoas quando necessitam”, afirmou, numa intervenção marcada pelo elogio ao poder local de proximidade.

Marques pediu mesmo uma salva de palmas para os autarcas presentes, considerando que merecem reconhecimento pelo trabalho desenvolvido “na linha da frente”, e lançou depois um repto claro aos eleitos de freguesia: deixarem de se assumir como o “parente pobre” das autarquias.

“Lanço o desafio de não voltarem a repetir essa expressão. Sabemos que temos muito trabalho a fazer, sabemos que temos de lutar para que, a nível superior, se reconheça a junta de freguesia como se reconhecem as câmaras e as assembleias municipais, como órgãos de extrema importância. Mas não voltem a referir que são o parente pobre das autarquias”, defendeu.

Na mesma intervenção, o autarca insistiu que as Juntas de freguesia representam o primeiro nível de resposta do Estado junto das populações e, por isso, devem ser também as primeiras a afirmar a dignidade e relevância dessa missão.

“Vocês são o poder local, vocês são os primeiros a quem as pessoas recorrem quando necessitam e, por isso, são os primeiros a defender essa função que vocês desempenham”, vincou.

Rui Marques aproveitou ainda para alargar a reflexão à valorização dos restantes órgãos autárquicos, referindo-se em concreto às assembleias municipais e assembleias de freguesia. Criticou os montantes pagos pelas senhas de presença, que classificou como irrisórios face à responsabilidade de quem aprova orçamentos e contas de gerência.

“Estamos a falar de valores irrisórios para pessoas que aprovam documentos financeiros”, apontou, defendendo um esforço conjunto da ANAFRE, da Associação Nacional de Municípios e das estruturas regionais para reforçar o reconhecimento institucional e político de todos os eleitos locais.

A fechar apelou à união entre os vários órgãos do poder local, considerando que só com maior coesão será possível defender melhor os interesses das autarquias e das populações.

“Devemos ser aqui mais fortes, mais unidos, mais coesos, para defender os interesses dos órgãos do poder local e defender os interesses da nossa população. Nós somos o poder local, o poder que está junto da população”, rematou.