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Guerra no Irão Mundo

Poder judicial pede aceleração de veredictos de condenação à morte

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Foto Getty Images

O chefe do poder judicial iraniano pediu hoje aos tribunais que acelerem os veredictos de condenação à morte em casos relacionados com a guerra contra os Estados Unidos e Israel.

"Devem acelerar a pronúncia de sentenças de morte e de confiscação de bens", declarou o presidente do Supremo Tribunal da República Islâmica, Gholam Hossein Mohseni Ejei, numa reunião de altos responsáveis judiciais transmitida pela televisão.

"É necessário continuar a emitir veredictos judiciais para elementos e agentes do inimigo agressor com maior celeridade", aplicando a legislação sobre a repressão de espionagem, acrescentou.

Desde o início do conflito, desencadeado a 28 de fevereiro por um ataque conjunto israelo-norte-americano ao Irão, sete pessoas foram enforcadas após terem sido condenadas em processos relacionados com os protestos antigovernamentais de janeiro, violentamente reprimidos.

Seis pessoas foram executadas por pertencerem ao grupo de oposição proibido dos 'Mujahidines' do Povo do Irão (MEK), e um cidadão iraniano-sueco foi também executado por espionagem para Israel.

As organizações de defesa dos direitos humanos alertaram que dezenas de outras pessoas correm o risco de ser executadas por ligação aos protestos de janeiro ou por serem suspeitas de ter ajudado os inimigos do país na atual guerra.

Em vez de defender os iranianos das ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, a República Islâmica prefere "acelerar as execuções, a repressão e a confiscação de bens da oposição", denunciou na plataforma digital Telegram a Prémio Nobel da Paz 2003, a advogada e ativista dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, que vive no exílio.

As autoridades classificaram como "terroristas" as pessoas condenadas à morte pelas manifestações de janeiro, afirmando que elas agiam em nome de Israel e dos Estados Unidos.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, elas foram consideradas culpadas após julgamentos "extremamente injustos", e algumas foram torturadas para obter falsas confissões, que foram depois transmitidas pela televisão.

"No contexto da guerra em curso, a aplicação de penas capitais emitidas contra manifestantes e prisioneiros políticos, no final de julgamentos opacos e acelerados, é vista como uma tentativa de instilar medo e manter controlo sobre a sociedade", sustentou o Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irão, sediado nos Estados Unidos.

Enquanto as detenções prosseguem, o chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, declarou, segundo a comunicação social estatal, que 85 pessoas foram detidas em 25 províncias, por alegadamente atuarem dentro de uma "rede organizada" que fornecia informações de localização aos inimigos do Irão.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas desde 05 de março que não atualizam o balanço oficial.

Hoje, no 39.º dia do conflito, a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.597, entre as quais 1.665 civis.