Mais de 244 mil pessoas iniciaram tratamento contra VIH em 2025 em Moçambique
Pelo menos 244.152 moçambicanos com VIH iniciaram tratamento antirretroviral (TARV) em 2025, incluindo 12.072 crianças, segundo informação do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida, apresentada hoje na Assembleia da República.
Segundo informação apresentada hoje pela presidente do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida, Zainaba Andala, pelo menos 12.072 menores de 0-14 anos iniciaram o tratamento antirretroviral em 2025 em Moçambique, numa taxa de 84% face à meta prevista para o ano (14.439), com as estatísticas a apontarem que 95.373 crianças já estão a realizar este tratamento, representando uma percentagem de 95%.
Segundo o mesmo documento, 232.080 adultos, representando 109% da meta prevista, iniciaram o TARV em 2025, quando antes a previsão era de 213.069, sendo que um total de 1.975.601 adultos estavam em tratamento no ano passado, significando 92% do global.
"O bom desempenho em novos inícios indica a capacidade de expansão de tratamento por um lado, enquanto o desempenho abaixo de 100% do número de ativos em TARV revela perdas ao longo de seguimento (problemas de retenção e adesão), o que significa que, a longo prazo, haverá comprometimento da supressão viral e aumento da transmissão de VIH", indica-se na informação apresentada.
No mesmo documento, refere-se que foram realizados 12.631.193 testes de VIH em 2025, uma redução em 3% face ao ano anterior, com o documento a indicar que a redução de testagens pode resultar em "diagnóstico tardio e maior transmissão de VIH".
De acordo com o documento, Moçambique conta com uma estimativa de 2,3 a 2,6 milhões de pessoas a viver com VIH, incluindo 150.000 a 201.000 crianças. Os números do gabinete parlamentar de prevenção e combate ao VIH/Sida estima que há registo de pelo menos 252 novas infeções por dia e 92 mil por ano, onde se calcula que cerca de 44 mil pessoas morrem por ano devido a esta epidemia.
Segundo a informação do parlamento, o número de mortos devido ao VIH tem vindo a reduzir-se ao longo dos anos, mas desafios persistem face a "mortes evitáveis", com a Assembleia da República a apontar que ainda se regista um diagnóstico tardio, fraca retenção e baixa adesão ao tratamento.
Moçambique é o terceiro país no mundo com mais pessoas com VIH e o segundo em termos de novas infeções, com prevalência de 12,5% em adultos com mais de 15 anos, sendo mais alta em mulheres (15%) do que em homens (9,5%), segundo dados divulgados hoje.
O parlamento moçambicano admitiu desafios que o país ainda enfrenta para controlar a doença, referindo-se no documento que esta epidemia tem impactos significativos na saúde pública, no sistema de saúde e no desenvolvimento socioeconómico do país.
"Embora o país tenha registado avanços nos últimos anos, persistem desafios para o controlo da epidemia de VIH, o que mostra a necessidade de esforços conjuntos, concertados e o envolvimento de todos os atores para melhorar o desempenho e resposta nacional rumo ao alcance das metas", adianta-se no documento.
Em dezembro, a primeira-ministra de Moçambique, Benvinda Levi, afirmou que o país registou "avanços significativos" no combate ao VIH/Sida, apesar de admitir que a doença continua "um dos maiores desafios" de saúde, quando 87% dos infetados estão diagnosticados.