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Putin afirma que adesão da Arménia à UE é "simplesmente impossível"

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O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou quarta-feira que a adesão da Arménia à União Europeia (UE) é "simplesmente impossível" devido à pertença da ex-república soviética à união económica dominada por Moscovo.

"A adesão a uniões aduaneiras tanto da União Europeia como da União Económica Euroasiática (UEE, liderada pela Rússia) é impossível. É simplesmente impossível por definição", enfatizou Putin durante um encontro no Kremlin com o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan.

"Vemos que a Arménia está a falar sobre o desenvolvimento de relações com a União Europeia e encaramos isso com tranquilidade. Entendemos que cada país procura obter o máximo benefício da sua cooperação com países terceiros, mas isso deve ser claro, honesto e acordado desde o início", acrescentou.

A Arménia, antiga república soviética no Cáucaso com uma população de aproximadamente 2,7 milhões de habitantes, aderiu à UEE, uma aliança dominada pela Rússia, em 2015.

Desde há dois anos, Yerevan tem-se revelado cada vez mais desafiante em relação a Moscovo, um aliado histórico que há muito lhe fornece armas e ainda mantém uma base militar em território arménio.

Na primavera de 2025, o Parlamento arménio aprovou uma lei com o objetivo de iniciar negociações para a adesão à UE, potência rival da Rússia no Cáucaso.

Perante Putin, Pashinyan afirmou que Yerevan entende que pertencer a ambos os blocos é incompatível.

"O que estamos a fazer e a agenda que temos, pelo menos para já, são compatíveis. Isso é um facto. E enquanto houver oportunidade de conciliar essas agendas, vamos fazê-lo", afirmou.

Em todo o caso, as relações com a Rússia "nunca estiveram nem nunca estarão em dúvida", prometeu.

Yerevan acusa o Kremlin de não ter prestado apoio suficiente nas suas disputas com o Azerbaijão, particularmente durante os conflitos armados em Nagorno-Karabakh em 2020 e 2023.

Vladimir Putin afirmou também hoje esperar que os movimentos políticos "pró-russos" pudessem participar nas eleições parlamentares marcadas para junho na Arménia.

"Existem muitas forças políticas pró-Rússia (na Arménia). Para ser franco, gostaríamos muito que todos estes partidos e políticos pudessem participar nas atividades políticas eleitorais", disse Putin.

A questão das relações com a Rússia é tema central na campanha eleitoral arménia.

A oposição do país acusa o governo de reforçar os laços com o Ocidente em detrimento das relações de Yerevan com Moscovo e exige a libertação do multimilionário russo-arménio Samvel Karapetyan, que as autoridades arménias acusam de incitar um golpe de Estado.

Neste contexto, Putin manifestou a sua esperança de que os processos políticos internos na Arménia não prejudiquem as suas relações com a Rússia.

"O principal é que estes processos políticos internos, que se intensificam sempre durante qualquer campanha eleitoral, (...) não prejudiquem de forma alguma as nossas relações com a Arménia", declarou.    

Salientou ainda que a Arménia recebe gás russo a um preço muito mais baixo do que os consumidores da Europa.