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Madeira

Sacerdotes devem ser ‘outro Cristo’ num mundo de "turbulenta indefinição"

D. Nuno Brás recorreu às palavras do Papa Leão XIV para mobilizar padres da Região para a missão que lhes foi confiada

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Na manhã desta Quinta-feira Santa, a Sé do Funchal voltou a acolher a Missa Crismal, cerimónia presidida pelo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás. Perante o clero diocesano, o prelado sublinhou a actualidade da missão da Igreja e a identidade profunda do sacerdócio num contexto social desafiante.

Tomando como base a afirmação de Jesus, “Cumpriu-se hoje mesmo a passagem da Escritura”, D. Nuno Brás afirmou que o cumprimento das promessas divinas continua a realizar-se no corpo da Igreja e através da acção dos sacerdotes.

Socorrendo-se das palavras de Leão XIV, o bispo do Funchal reforçou que “o Evangelho encontra não apenas indiferença, mas também um panorama cultural diferente, no qual as palavras já não carregam o mesmo significado e onde a proclamação inicial já não pode ser tomada como certa”, apontou, citando o Papa, num missiva ao presbitério de Madrid.

Dirigindo-se particularmente aos padres, D. Nuno Brás focou a sua homilia nos aspectos que considera centrais para o ministério sacerdotal na actualidade. Repetiu, algumas vezes, que o sacerdote tem de ser o ‘Alter Christus’ (outro Cristo), notando que o desafio central é que o povo de Deus, ao encontrar um sacerdote, reconheça nele o próprio Cristo.

E para superar a crise cultural que diz reinar, o bispo reforça a “nova inquietação” dos corações, especialmente dos mais jovens, sem, contudo, deixar de salientar a indiferença que o Evangelho encontra nos dias de hoje, onde as palavras perderam o significado original.

Nesse sentido impõe-se, defende, uma relação viva com Deus, num modelo de padre que, para este tempo, não deve ser definido pela pressão de resultados ou multiplicidade de tarefas, mas sim por uma “relação viva” com o Senhor, alimentada pela Eucaristia.

E perante as “derrotas, vicissitudes e o pecado”, D. Nuno Brás exortou os padres a não baixarem os braços e a não desistirem da missão de guiar o povo, reforçando a importância da resiliência na sua missão.

A homilia terminou com um apelo ao ardor missionário e à renovação do compromisso assumido no dia da ordenação: “Eis-me aqui, Senhor!”, disse.

A Missa Crismal, um dos momentos de maior significado nesta Semana Santa, centra a sua importância na renovação, por parte dos sacerdotes, do compromisso de serviço a Deus veiculado no momento da sua ordenação.

Mas, este momento é também de grande relevo pela consagração dos óleos, que depois serão distribuídos por todas as paróquias da diocese para serem usados nos sacramentos ao longo do ano.

Este é um momento de transição para o Tríduo Pascal. Ao preparar os óleos sacramentais, a Igreja antecipa a alegria da Ressurreição, onde os novos cristãos serão baptizados e crismados na Vigília Pascal. É um momento de unidade diocesana que recorda que toda a vida cristã e todos os sacramentos brotam do mistério pascal de Cristo.