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Alguns deputados constituintes abandonam galerias durante discurso de Ventura

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FOTO JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Alguns deputados constituintes presentes na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário da Constituição, entre os quais Helena Roseta e Jerónimo de Sousa, abandonaram as galerias do parlamento durante a intervenção do líder do Chega.

No discurso durante a cerimónia, André Ventura disse que houve cidadãos que, "já com esta Constituição ou à beira desta Constituição, já após a revolução ou perto da revolução, [que] foram presos sem mandato, foram mortos em atentados das FP-25".

"Foram assassinados por grupos terroristas patrocinados" por "muitos desses deputados da constituinte", acusou o líder do Chega.

Depois de pedir desculpa pela "falta de cortesia" devida à Assembleia da República, Ventura perguntou "o que dirão as gerações futuras" quando souberem que "um parlamento amnistiou um grupo terrorista de esquerda que tinha na sua lista mortes de bebés, seres humanos, casais, às mãos da extrema-esquerda".

O presidente do Chega afirmou que "pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que havia antes do 25 de Abril de 1974".

Depois destas palavras, alguns dos constituintes convidados para a sessão levantaram-se em protesto e deixaram a sala.

Quando Ventura terminou a sua intervenção, os constituintes regressaram à sala e os deputados do Chega protestaram, tendo sido repreendidos pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, pedindo que se contivessem na gesticulação que "não dignifica este parlamento".

A reentrada destes antigos deputados valeu uma ovação de pé das bancadas, à exceção de Chega e do CDS-PP.

José Pedro Aguiar-Branco recordou que os deputados constituintes estão na sessão "a convite da Assembleia da República" e chegou a pedir ao deputado do Chega e vice-secretário da Mesa do parlamento Filipe Melo que se calasse, o que o levou este parlamentar a deixar também o hemiciclo.