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Guerra no Irão Mundo

Presidente do Irão condena críticas de Trump a Papa Leão XIV

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O Presidente do Irão, Massud Pezeshkian, condenou hoje "o insulto" do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Papa Leão XIV, que classificou como "péssimo em política externa".

"Sua Santidade, Papa Leão XIV (@Pontifex), condeno o insulto dirigido a Vossa Excelência, em nome da grande nação do Irão", escreveu Pezeshkian na rede social X.

"Declaro que a profanação de Jesus, o profeta da paz e da fraternidade, é inaceitável para qualquer pessoa livre. Que a glória de Alá esteja convosco", acrescentou.

Trump afirmou no domingo que o Papa norte-americano era "péssimo em política externa", referindo-se às suas críticas à atuação dos Estados Unidos no Irão e na Venezuela, e instou-o a "parar de bajular a esquerda radical".

"O Papa Leão é FRACO em relação ao crime e péssimo em política externa", escreveu Trump na sua rede social, Truth Social, numa longa mensagem em que o instava a "concentrar-se em ser um grande Papa, não um político", porque "está a prejudicar a Igreja Católica".

O chefe da Igreja Católica respondeu a Trump que "o evangelho é claro" e que "a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra", no voo para a Argélia, a terceira deslocação ao estrangeiro do seu pontificado.

"O que eu digo não deve ser entendido como um ataque por ninguém. A mensagem do evangelho é muito clara: Bem-aventurados os que constroem a paz", afirmou o pontífice norte-americano aos jornalistas que viajavam com ele no avião.

Leão XIV asseverou ainda que não tem "medo do Governo Trump" ou de "proferir com veemência a mensagem do evangelho".

Neste primeiro ano de pontificado quase a completar-se, embora sempre em tom cauteloso, Leão XIV denunciou alguns riscos da política mundial, lamentou guerras como a do Irão e instou a que "se salvaguardasse a soberania" da Venezuela, após a captura do então Presidente, Nicolás Maduro, num ataque militar norte-americano a Caracas, a 03 de janeiro.

No sábado, no Vaticano, o Papa instou os governantes do mundo a conter qualquer "exibição de força" e a "sentar-se a mesas de diálogo e mediação" e, embora não tenha mencionado casos concretos, a mensagem coincidiu com as negociações dos Estados Unidos e do Irão no Paquistão, após alcançado um cessar-fogo temporário.

Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociar o fim de uma guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, justificada com a inflexibilidade desta nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

A 02 de março, Israel iniciou uma guerra com o Líbano, em resposta a um ataque do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, o que fez aumentar os receios de alastramento da guerra a todo o Médio Oriente.

As duas semanas de negociações assentarão num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra, que inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.

Desde 28 de fevereiro, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas pararam a 05 de março de atualizar o balanço oficial.

A 12 de abril, forneceram um novo balanço: 3.375 mortos, entre os quais 383 crianças.

Segundo o diretor da Organização de Medicina Legal do Irão, Abbas Masyedi, entre as vítimas mortais, há cidadãos de outros países, como Afeganistão, Síria, Turquia, Paquistão, China, Iraque e Líbano.

Já a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, que todos os dias atualizou o número total de vítimas mortais no Irão, situou-as no seu último relatório antes da entrada em vigor do cessar-fogo em pelo menos 3.636, entre as quais 1.701 civis.