Familiares de presos políticos na Venezuela reforçam protestos após violência prisional
Familiares de presos políticos detidos nas proximidades de Caracas afirmaram esta sexta-feira que vão intensificar esforços e protestos para denunciar as condições na prisão, e relatarem que vários detidos foram feridos na repressão de protestos esta semana.
"Isto obriga-nos a redobrar os esforços porque é evidente que eles querem continuar a acabar com a vida dos nossos. Em breve iremos anunciar um calendário", disse à agência EFE a ativista Andreína Baduel, participante numa vigília nas imediações da prisão El Rodeo I, junto à capital venezuelana.
Dezenas de familiares reuniram-se esta sexta-feira à porta da prisão, onde mantêm uma vigília permanente há mais de 90 dias, para exigir a libertação dos detidos.
Segundo Baduel, a violência no interior da prisão ocorreu na quarta-feira à tarde, quando os presos políticos estrangeiros saíram para o pátio para apanhar sol e se recusaram a regressar às celas em protesto contra as suas condições.
Em resposta, segundo a ativista, os guardas prisionais reagiram com agressões físicas, ameaças com armas de fogo e lançaram "gás pimenta" e gás lacrimogéneo, o que levou a que vários detidos fossem internados na enfermaria.
Os detidos estrangeiros não têm permissão para comunicar com os familiares, nem com as respetivas embaixadas, castigos que por vezes são impostos aos detidos venezuelanos, segundo os ativistas.
O Ministério Público venezuelano afirmou esta sexta-feira que visitou a prisão Rodeo I para investigar os incidentes, tendo confirmado terem sido cumpridos os "procedimentos e protocolos de rigor", contrariando as denúncias dos familiares.