Bahrein preside Conselho de Segurança da ONU com foco no Irão e cooperação regional
O Bahrein assumiu hoje a presidência do Conselho de Segurança da ONU, na qual dará destaque à guerra no Médio Oriente, à situação no estreito de Ormuz e à cooperação da organização com outros organismos regionais.
O Bahrein sucede aos Estados Unidos, que presidiram à organização em março, um mês marcado pela escalada do conflito no Médio Oriente depois da guerra desencadeada em 28 de fevereiro pelos bombardeamentos de Washington e Telavive no Irão, e que concentrou as atenções do Conselho.
Numa conferência de imprensa em Nova Iorque, o representante do Bahrein junto da ONU, Jamal Alrowaiei, afirmou que não considera esse conflito como uma questão nacional ou regional, mas sim uma questão internacional, uma vez que as repercussões em termos de segurança e economia ultrapassam o âmbito regional.
"O comportamento irresponsável do Irão, se ignorado e não combatido, poderá tornar-se numa norma que veremos replicada noutras regiões do mundo. E isso é algo que ninguém quer ver acontecer na sua região", declarou.
Em segundo lugar nas prioridades, o embaixador indicou a questão palestiniana, nomeadamente os desenvolvimentos na Cisjordânia e, em terceiro, apontou para os recentes acontecimentos no Líbano, onde Israel mantém constantes ataques e expressou intenção de ocupar o sul do país.
"É importante apoiarmos a soberania, a segurança e a integridade territorial do Líbano, apoiarmos os esforços do Governo libanês neste sentido e impedirmos que o Líbano seja arrastado para um conflito regional do qual não faz parte", defendeu.
Em relação a reuniões, a primeira será dedicada à cooperação da ONU com o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe, destacando assim uma das marcas que o país pretende deixar durante a sua presidência.
Outra sessão, focada no multilateralismo, neste caso, na relação com a União Europeia, está agendada para 13 de abril.
O fortalecimento da cooperação com outros atores no cenário internacional é outra das prioridades "partilhadas por todos os membros do Conselho" e que o Bahrein deseja enfatizar durante a liderança rotativa.
Consolidar a paz e a estabilidade, enfrentar as ameaças tradicionais e emergentes à segurança e garantir a inclusão e a participação são os outros objetivos.
Outro dos destaques para este mês é um debate sobre segurança marítima.
Além disso, o Conselho está a trabalhar numa resolução, que pode ser votada em breve, exclusivamente sobre o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão em retaliação aos ataques.
"Não podemos aceitar que a situação se mantenha como está. Não podemos aceitar o terrorismo económico que afeta a nossa região e o mundo. O mundo inteiro está a ser afetado por este desenvolvimento. Por isso, esta resolução é de suma importância e surge num momento crítico", disse Jamal Alrowaiei.
Por fim, o órgão vai discutir a proteção do pessoal humanitário e das Nações Unidas e dos parceiros em conflitos armados, depois de três "soldados da paz" terem sido mortos no Líbano em apenas 24 horas em ataques cuja origem a organização ainda está sob investigação.
Kosovo e Líbia também estão na agenda do Conselho de Segurança para este mês.