Rússia responde à proposta de trégua pascal com 339 drones
A Ucrânia criticou hoje a Rússia por responder à proposta de trégua para a Páscoa com ataques contra alvos civis, denunciando que Moscovo lançou na última noite 339 drones, na maioria de fabrico iraniano, em seis províncias diferentes.
"A Rússia utilizou 339 drones contra a Ucrânia durante a noite, cerca de 200 deles os 'Shahed' [modelo de fabrico iraniano]", indicou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, numa mensagem nas redes sociais, em que denunciou que os ataques atingiram instalações "puramente civis", incluindo armazéns de alimentos e um terminal dos serviços postais ucranianos.
"Todas as unidades necessárias do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia e os serviços municipais já foram mobilizados para responder às consequências deste ataque", afirmou, depois de especificar que os bombardeamentos ocorreram nas regiões de Dnipro, Jitomir, Poltava, Odessa, Carcóvia e Khmelnytskyi.
Zelensky denunciou ainda que esta é a resposta de Moscovo aos esforços diplomáticos e à proposta de Kiev para um cessar-fogo durante a Páscoa.
"Este ataque noturno é, na prática, a resposta da Rússia aos nossos esforços diplomáticos. Propusemos um cessar-fogo para a Páscoa; em resposta, recebemos 'Shaheds'. Também propusemos um cessar-fogo especificamente no que diz respeito às infraestruturas energéticas, mas os russos ignoram isso e voltam a tentar atacar as nossas subestações e transformadores", insistiu.
Zelensky sublinhou igualmente que a Rússia constitui uma "ameaça global", acusando-a de prolongar a guerra na Europa e de "investir", com a alegada ajuda militar ao Irão, a "alimentar a guerra no Médio Oriente e no Golfo".
"O seu desprezo pela vida e pela paz é o que impede qualquer diplomacia", criticou o Presidente ucraniano, sublinhando mais uma vez que a paz na Ucrânia passa por aumentar a taxa de "interceção de drones e mísseis russos", bem como por reforçar as restrições à economia russa.
Em declarações na terça-feira, Zelensky avançou que hoje ia reunir-se por videoconferência com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner (genro do Presidente norte-americano, Donald Trump), o senador Lindsey Graham, e o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental), Mark Rutte.
"Debateremos a nossa situação atual e quão perto estamos de acordos trilaterais ou, pelo menos, de reuniões trilaterais", afirmou na ocasião Zelensky.
Também referiu que tencionava falar com os mediadores norte-americanos sobre a proposta ucraniana de um cessar-fogo para a Páscoa ortodoxa, tendo exortado os Estados Unidos a apoiarem a proposta.
A Páscoa ortodoxa celebra-se no dia 12 de abril.
O porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, afirmou na terça-feira que a Rússia rejeita a hipótese de um cessar-fogo e instou Zelensky a tomar as medidas necessárias para que se assine uma paz definitiva.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Exército russo volta a declarar conquista de Lugansk
O exército russo voltou hoje a declarar a conquista de Lugansk, que juntamente com a vizinha Donetsk forma a região ucraniana do Donbass, segundo comunicado do ministério da Defesa da Federação da Rússia.
"Unidades do grupo militar Zapad (oeste) concluíram a libertação da República Popular de Lugansk", lê-se no texto.
Os responsáveis das forças armadas russas têm reiteradamente afirmado o domínio de toda a zona de Lugansk, que Moscovo tinha anexado em setembro de 2022, depois do início da invasão à Ucrânia, em 24 de fevereiro do mesmo ano.
O Kremlin (presidência russa) pediu também hoje ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para ordenar a retirada imediata das suas tropas do Donbass, onde o exército ucraniano ainda controla um quinto da região de Donetsk.
"Não se trata de dois meses. Zelensky precisa de decidir hoje que as tropas ucranianas têm de deixar o Donbass", disse o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, na conferência de imprensa diária à distância.
Zelensky afirmou terça-feira que Moscovo tinha dado um prazo de dois meses a Kiev para a retirada de todas as suas tropas das regiões de Donetsk e Lugansk.
O presidente russo, Vladimir Putin, foi o primeiro a impor a condição da retirada da Ucrânia do Donbass, em junho de 2024, como pré-requisito para o início das negociações de Paz.
A Ucrânia mantém controlo ainda sobre aproximadamente 10% daquele território contestado, apesar de o exército russo já ter começado a ofensiva da primavera com o objetivo de assumir o domínio de toda a parte leste do país vizinho, após mais de quatro anos de combate.