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ONU alerta que 80% das vítimas de minas no Afeganistão são crianças

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Foto Shutterstock

 O Afeganistão tem a terceira maior taxa de vítimas de engenhos explosivos do mundo, com cerca de 50 pessoas mortas ou feridas todos os meses, das quais quase 80% são crianças, alertou ontem a ONU.

Os dados foram ontem transmitidos à imprensa, em Nova Iorque, por Nick Pond, chefe do Serviço de Ação contra Minas das Nações Unidas (UNMAS) no Afeganistão, que frisou que, no país, regista-se pelo menos uma vítima mortal diária "e essa vítima será provavelmente uma criança".

Noventa por cento das vítimas são causadas por engenhos explosivos não detonados e munições abandonadas que foram deixadas para trás após mais de 40 anos de conflito, disse.

"A maioria destas vítimas são rapazes, geralmente mortos ou feridos ao mexerem nos engenhos explosivos que encontram enquanto cuidam de animais ou brincam", explicou Pond.

De acordo com a UNMAS, existem mais de 1.000 quilómetros quadrados de terreno reconhecidamente minado no Afeganistão, um número que equivale a mais de 140.000 campos de futebol.

Quase três milhões de pessoas, cerca de 900 instituições de ensino e mais de 200 unidades de saúde estão localizadas a menos de um quilómetro de contaminação por munições explosivas no Afeganistão, ainda segundo a mesma fonte, que sublinhou que os números podem ser muito superiores, uma vez que muitos distritos ainda não foram totalmente inquiridos.

Na conferência de imprensa em Nova Iorque, Nick Pond afirmou que o reduzido apoio ao Afeganistão - "um país que ocupa uma posição baixa na lista de prioridades humanitárias globais, governado por uma autoridade de facto não reconhecida internacionalmente" -, levou à redução do número de remoção de minas, da educação sobre riscos e da assistência às vítimas.

"A desminagem é possível em grande parte do país e o Afeganistão é signatário de todas as convenções internacionais sobre desminagem. Com o aumento do financiamento, existe uma oportunidade muito real de livrar este país da contaminação, permitindo ao povo afegão restaurar os seus meios de subsistência sem ser prejudicado pelos vestígios da guerra", apelou Pond.

Na sessão esteve também presente Paul Heslop, conselheiro para Ação contra Minas na Ucrânia, que indicou que a presença desses explosivos em solo ucraniano tem um impacto de 11 biliões de dólares (9,5 mil milhões de euros) por ano na economia do país.

Para dar um exemplo, Heslop exibiu um exemplar de um projétil de artilharia, explicando que explosivos dessa tipologia foram disparados na Ucrânia a um ritmo de cerca de 10.000 por dia nos últimos 1.500 dias.

"E este é apenas um sistema de armas. Portanto, se começarmos a pensar não só na utilização de artilharia, mas também em granadas, munições de fragmentação e minas terrestres, estamos a falar de um nível de contaminação que não se via na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial", disse.

Nesse sentido, o conselheiro pediu um investimento prolongado em ações de desminagem, as quais classificou como um "investimento na paz e na recuperação rápida".

O Dia Internacional de Sensibilização para as Minas e Assistência à Ação contra as Minas assinala-se no próximo sábado.