Via Expresso afasta provas de ciclismo nas vias concessionadas
Concessionária diz que aumento de 50% do tráfego, túneis sem bermas e riscos de segurança impedem realização de competições na rede rodoviária
A Via Expresso da Madeira concluiu que não estão reunidas as condições necessárias para a realização de provas de ciclismo na rede rodoviária sob a sua concessão. A posição surge após uma análise técnica detalhada às condições de segurança e de circulação nas estradas concessionadas.
Num comunicado assinado pelo conselho de administração, a concessionária explica que o estudo foi realizado com o apoio de consultores especializados em segurança rodoviária e gestão de tráfego, tendo em conta a evolução recente da utilização da rede.
De acordo com a empresa, nos últimos 5 anos o Tráfego Médio Diário Anual aumentou cerca de 50%, alteração que terá transformado vias que anteriormente permitiam a realização de eventos pontuais em artérias de elevada intensidade de circulação. Esta realidade, sustenta a Via Expresso, aumenta significativamente o risco para veículos não motorizados.
A concessionária alerta que o aumento do volume de tráfego acentua o conflito entre ciclistas e veículos motorizados, elevando o risco de acidentes. Além disso, a ocupação das vias por atletas poderá reduzir a capacidade de escoamento do trânsito e originar situações de congestionamento, colisões, atropelamentos ou manobras perigosas de ultrapassagem.
Outro dos factores apontados prende-se com as características da própria rede concessionada, marcada pela existência de numerosos túneis. Segundo a empresa, a ausência de bermas nestas infra-estruturas impede a separação segura entre ciclistas e tráfego automóvel, enquanto as condições de visibilidade e de adaptação à luz nas entradas e saídas dos túneis agravam o risco de acidentes.
Para além das questões de segurança rodoviária, a Via Expresso sublinha ainda a necessidade de garantir a disponibilidade permanente destas vias para serviços de emergência e para o regular funcionamento da actividade económica da Região. A rede concessionada, recorda, constitui um eixo essencial da mobilidade regional, assegurando diariamente a circulação de mercadorias, o abastecimento de bens e a mobilidade laboral e turística.
Qualquer restrição significativa, acrescenta a empresa, poderá comprometer estes fluxos essenciais e dificultar a circulação rápida de veículos de assistência médica, protecção civil e outros meios de socorro.
Face aos elementos analisados, a concessionária conclui que “não estão reunidas as condições necessárias para a realização de provas desportivas de ciclismo na rede rodoviária concessionada”.
A Via Expresso reconhece que a decisão é difícil, tendo em conta o histórico de colaboração com eventos desportivos, mas sustenta que a prioridade deve ser garantir a segurança de atletas e utilizadores da via, bem como assegurar o funcionamento de uma infra-estrutura considerada crítica para a mobilidade e protecção da população da Região.