Sheinbaum pede calma após Trump dizer que México é epicentro dos cartéis
A chefe de Estado do México, Claudia Sheinbaum, pediu hoje à população que mantenha "a cabeça fria" perante as declarações do Presidente dos Estados Unidos de que "o México é o epicentro da violência dos cartéis" na região.
"Veremos na segunda-feira, na segunda-feira. Cabeça fria", respondeu a chefe do executivo ao ser questionada pela imprensa nacional, durante a inauguração de um estabelecimento de ensino no município de Ixtapaluca, no Estado do México.
Sem dar mais detalhes sobre os comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, que reiterou hoje que "os cartéis estão a controlar o México", Claudia Sheinbaum indicou que o assunto será analisado na segunda-feira, durante a sua conferência matinal dirigida à imprensa.
A declaração da Presidente do México aos jornalistas surge depois do anúncio da criação de uma coligação militar norte-americana juntamente com presidentes latino-americanos de direita para derrotar os cartéis, na qual o México não participa, no meio de tensões perante um possível ataque dos Estados Unidos contra o narcotráfico em território mexicano.
Na inauguração da reunião "Escudo das Américas", o Presidente norte-americano afirmou que Claudia Sheinbaum é uma "pessoa muito boa" com uma "voz bonita", mas insistiu que "os cartéis mexicanos estão a impulsionar e a orquestrar grande parte do derramamento de sangue e do caos no hemisfério".
Por outro lado, Donald Trump recusou que o México tenha a "porta fechada" para fazer parte da coligação militar, afirmando que se tratou de "uma oportunidade para reconhecer os países" que, desde o primeiro dia do seu governo, "se comprometeram e alinharam".
Segundo a porta-voz em espanhol do Departamento de Estado, Natalia Molano, que traduziu as declarações de Trump para a agência EFE, no futuro haverá "uma oportunidade de expandir" a aliança, mostrando "os resultados" alcançados.
Durante a cimeira realizada num campo de golfe de Trump na Flórida, o republicano assinou a proclamação que cria o "Escudo das Américas", cujo objetivo é, segundo ele, usar "força militar letal para destruir" os cartéis.
Participaram no encontro os líderes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago, cujos líderes são ideologicamente próximos de Trump e prometeram cooperar com os EUA para combater com força militar os narcoterroristas, apesar de o governo mexicano ter recusado operações militares americanas no seu território.
Os governos do México, Brasil e Colômbia não foram convidados.
Segundo Natalia Molano, o Presidente norte-americano "fez uma oferta aos líderes presentes na sala" de que "se solicitarem assistência militar dos Estados Unidos (para combater o narcotráfico), ela será concedida".
A porta-voz sublinhou ainda que a aliança se baseia na "soberania e no Estado de direito" de cada país.
A reunião ocorre após a captura e morte, em fevereiro, do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes 'El Mencho', o principal responsável pelo narcotráfico mexicano e o mais procurado por ambos os países, com a ajuda da inteligência americana.