DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Merz diz que colapso de Teerão pode levar a onda migratória descontrolada

None

O chanceler alemão avisou hoje que um colapso no Irão poderá desencadear uma onda migratória descontrolada, defendendo que a Alemanha não quer uma repetição do que aconteceu na guerra civil síria, quando acolheu mais de um milhão de refugiados.

"Uma guerra sem fim não é do nosso interesse (...). A economia iraniana não deve entrar em colapso. É preciso impedir movimentos migratórios descontrolados vindos do Irão", disse Friedrich Merz, evocando também o risco de um "colapso do Estado iraniano".

Questionado numa feira em Munique sobre os riscos do fluxo de migrantes na Alemanha, o líder alemão reconheceu que ainda não é possível pronunciar-se sobre essa possibilidade.

"Ainda não podemos pronunciarmo-nos definitivamente sobre esse assunto. Essa é uma das razões pelas quais insistimos tanto para que o Irão mantenha a sua integridade. Não queremos ver aqui uma repetição do cenário sírio, mas desejamos que este Estado funcione por si próprio", explicou.

Na sequência da guerra civil na Síria, mais de um milhão de sírios chegaram à Alemanha entre 2015 e 2016, tendo a antiga chanceler Angela Merkel adotado uma política de acolhimento a estes refugiados.

Merz disse ter exortado, em todas as suas discussões com Washington e o Governo israelita, à criação "o mais rapidamente possível das condições necessárias para a estabilização deste país, a instauração de um Governo democraticamente legítimo e a continuidade deste Estado que conta com mais de 90 milhões de habitantes".

"É claro que temos todo o interesse em evitar novos fluxos de refugiados", acrescentou Merz, que, desde que assumiu o poder em maio passado, endureceu consideravelmente a política migratória alemã.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

O conflito afetou os mercados internacionais de petróleo e gás, de transporte de mercadorias e passageiros, e o setor do turismo na região fazendo recear uma crise da economia global.