Estados Unidos pedem a Kiev ajuda para combater drones iranianos
Os Estados Unidos solicitaram apoio à Ucrânia para se protegerem dos drones iranianos em pleno conflito no Médio Oriente, desencadeado no sábado por ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica, afirmou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
"Recebemos um pedido dos Estados Unidos para apoio específico na proteção contra os Shahed no Médio Oriente", disse o líder ucraniano na rede social X, referindo-se ao modelo de drones iranianos usados pelas forças de Moscovo nas suas vagas de bombardeamentos intensivos contra a Ucrânia, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Volodymyr Zelensky indicou ter já ordenado o fornecimento dos "recursos necessários" e de "especialistas ucranianos" para responder a este pedido de assistência de segurança.
"A Ucrânia apoia os parceiros que ajudam a garantir a nossa segurança e a proteger a vida do nosso povo", acrescentou na sua mensagem.
Os Estados Unidos eram o maior fornecedor bilateral de ajuda militar à Ucrânia antes do regresso de Donald Trump à liderança da Casa Branca, em janeiro de 2025, mas esse auxílio foi substancialmente reduzido desde então, à medida que Washington iniciou negociações de paz entre Kiev e Moscovo, e substituído por apoio europeu.
A Ucrânia tem uma experiência considerável no combate a drones Shahed, uma vez que a Rússia faz um uso extensivo destes dispositivos --- originalmente concebidos pelo Irão, mas entretanto fabricados na indústria russa --- para bombardear o território ucraniano.
Quase todas as noites, centenas destes drones são lançados contra a Ucrânia.
Sem recursos para os abater, os ucranianos desenvolveram uma panóplia de drones intercetores baratos e eficazes, considerados entre os mais avançados do mundo e capazes de os destruir em pleno voo.
Na terça-feira, o Presidente ucraniano propôs aos aliados de Washington no Médio Oriente que trocassem os seus sistemas antiaéreos Patriot por estes drones intercetores, que, segundo Zelensky, são mais eficazes contra os ataques iranianos.
"Centenas ou milhares de drones Shahed não podem ser intercetados com mísseis Patriot. É muito caro. (...) É por isso que precisam dos nossos drones intercetores ", sustentou o líder ucraniano em declarações ao canal de televisão italiano Rai.
Segundo o comandante das forças armadas ucranianas, Oleksandr Syrsky, os drones intercetores abateram mais de 70% dos drones russos que visaram Kiev e arredores em fevereiro.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, tendo matado nos seus primeiros bombardeamentos o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque, com amplo uso de drones Shahed.
Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.