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Madeira

“Esta Câmara só tem dado tiros nos pés”

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“Esta Câmara só tem dado tiros nos pés.” A crítica é do vereador do PSD na Câmara Municipal de São Vicente, António Manuel Gonçalves, na sequência da reunião camarária de hoje, onde uma proposta apresentada pelo executivo liderado por José Carlos Gonçalves acabou por ser chumbada com votação do seu próprio vereador [Chega], se bem que neste caso o autarca diz que o vereador do Chega esteve a à altura.

A deliberação estava relacionada com o processo das grutas de São Vicente, um dos dossiers mais sensíveis do concelho. A proposta pretendia reverter decisões tomadas pelo anterior executivo relativamente ao modelo de gestão daquele equipamento turístico.

O documento acabou rejeitado com os votos contra dos dois vereadores do PSD, António Manuel Gonçalves e Rosa Castanho, bem como do vereador do Chega, Fábio Costa. A favor votaram apenas o presidente da Câmara e a vereadora Cláudia Capontes, que participou na reunião em substituição da vice-presidente Helena Freitas.

Para António Manuel Gonçalves, o episódio acaba por confirmar dificuldades de governação dentro do actual executivo. “Sinceramente não me estranha, porque a verdade é que o Chega ganhou a Câmara Municipal de São Vicente sem projecto e com promessas que não tinham viabilidade. Quando se sai do discurso populista e se passa à prática, começam inevitavelmente a surgir os atritos e as contradições”, sustenta o vereador social-democrata.

Na sua leitura, a proposta agora apresentada implicava reverter um processo que vinha sendo conduzido pelo anterior executivo relativamente às grutas de São Vicente. Esse caminho passava pela reestruturação do projecto, com a integração do património e dos trabalhadores na Câmara Municipal e a conclusão dos estudos técnicos necessários para avançar com a intervenção no espaço.

“Esta reversão vai contra as boas práticas de gestão e contra recomendações técnicas que já tinham sido obtidas, incluindo a posição do revisor oficial de contas. Coloca também em causa a salvaguarda do património municipal e os direitos estabilizados dos trabalhadores, além de levantar dúvidas sobre a própria viabilidade financeira do projecto”, sustenta António Manuel Gonçalves.

Segundo explica, o processo anteriormente delineado permitiria concluir os projectos técnicos e preparar um contrato de programa com o Governo Regional que assegurasse o financiamento da intervenção e permitisse avançar para a reabertura das grutas.

“Aquilo que estava a ser preparado passava por integrar o património e os trabalhadores na Câmara, terminar os estudos e os projectos e depois celebrar um contrato de programa com o Governo Regional para viabilizar a obra e permitir a reabertura das grutas. Reverter agora todo esse caminho levanta muitas dúvidas sobre o que realmente se pretende fazer com este processo”, sustenta.

O vereador social-democrata enquadra ainda o episódio num conjunto mais vasto de decisões que, na sua perspectiva, têm marcado negativamente a actuação do actual executivo municipal.

“Temos assistido a um conjunto de decisões que não vão no sentido positivo para o concelho. Vemos problemas na recolha de resíduos, vemos situações preocupantes no novo estaleiro municipal e também a questão dos animais que continuam no antigo estaleiro, num cenário que não dignifica o concelho”, aponta António Manuel Gonçalves.

O autarca refere igualmente cortes nos apoios às associações culturais, desportivas, recreativas e de acção social do concelho, situação que considera difícil de compreender numa altura em que essas entidades desempenham um papel essencial na vida comunitária.

“Quando se somam todos estes episódios percebe-se que estamos perante uma sucessão de decisões erradas. É por isso que digo que esta Câmara só tem dado tiros nos pés”, sustenta o vereador do PSD.