Se queres paz, prepara-te para a guerra
A Europa tem de resolver rapidamente os problemas de coordenação
No passado sábado, os Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão e iniciou-se um conflito no médio oriente. A situação nesta zona do globo, tornou-se rapidamente bastante instável e apanhou de surpresa milhares de turistas e trabalhadores europeus nos Emirados Árabes Unidos que anseiam por uma oportunidade para regressarem a casa.
Depois da guerra na Ucrânia, considerada por muitos, como o maior choque geopolítico no continente europeu, desde a queda do muro de Berlim e que dura há já quatro longos anos, a Europa vê-se novamente a braços com mais uma guerra, próximo das suas fronteiras, com as terríveis consequências daí advenientes.
2026 tem sido um ano complexo para o mundo e é visto por muitos como um ano decisivo para que a União Europeia encontre um posicionamento mais adequado nesta nova ordem mundial que se está a desenhar.
2026 é como se fosse uma espécie de “wake-up call” para uma Europa que tem tido dificuldades em se afirmar e que parece atuar a reboque dos acontecimentos.
A Europa tem de resolver rapidamente os problemas de coordenação, sobre o que fazer, qual o caminho a seguir ou qual a posição a adoptar, tendo em conta a nova realidade.
Por outro lado, se o conflito persistir no Irão e se o estreito de Ormuz continuar fechado, teremos todos, um aumento no custo de vida, o que levará necessariamente a uma revisão de prioridades e dos investimentos da União Europeia.
E as prioridades em tempo de guerra terão necessariamente de ser muito diferentes da atuais.
Não podemos ter uma Europa acomodada e descoordenada.
Conforme referiu o militar romano Flávio Vegécio no tratado “Epitoma Rei Militaris”, “Si vis pacem, para bellum”, ou seja “se queres paz, prepara-te para a guerra”.
Esta máxima sugere a necessidade de se ter força, estratégia e prontidão para dissuadir eventuais ataques do inimigo.
Precisamos de ter isso em conta, dado que a estabilidade e a paz são desígnios fundamentais para a Europa e são a razão principal da fundação do projeto europeu.
Termino, com uma palavra de solidariedade e de alento a todos aqueles que estão neste momento, retidos no médio oriente e que aguardam por uma oportunidade para regressarem a casa. Muitos felizmente, já conseguiram sair, graças ao Governo Português.
O Governo da República tem acompanhado desde a primeira hora esta situação e prestado todo o apoio possível, através dos serviços de emergência consular.
Faço votos para que a situação melhore e permita uma célere e rápida realização de voos, por forma a que o regresso a casa dos nossos conterrâneos seja efetuado o mais rapidamente possível.
Precisamos urgentemente de paz e não de guerra!