Senadores republicanos rejeitam projecto de lei para interromper a guerra
Os senadores republicanos rejeitaram hoje uma proposta para interromper a guerra lançada por Donald Trump no Irão, demonstrando apoio inicial a um conflito que se espalhou rapidamente pelo Médio Oriente sem uma estratégia clara de saída para Washington.
A votação da legislação, conhecida como resolução sobre poderes de guerra, terminou com 47 votos a favor e 53 contra e foi lançada pelo democrata Tim Kaine e co-patrocinada pelo republicano Rand Paul.
Enquanto Rand Paul foi o único republicano a apoiar este projeto, o senador democrata John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único democrata a romper com o seu partido e a votar contra a resolução, mantendo a sua postura firme em apoio a Israel e a sua relutância em impor limites à autoridade do Presidente para agir na defesa de Telavive.
O texto deu aos legisladores a oportunidade de exigir a aprovação do Congresso antes que qualquer outro ataque fosse realizado.
A votação forçou os senadores a posicionar-se sobre uma guerra que, mais uma vez, molda o destino de militares norte-americanos, mas também o de inúmeras outras vidas e o futuro da região.
Sublinhando a gravidade do momento, os senadores democratas lotaram o plenário do Senado e permaneceram sentados nas suas mesas enquanto a votação se iniciava. Normalmente, os senadores entram no plenário para votar e depois saem.
"Hoje, cada senador --- absolutamente todos --- escolherá um lado", afirmou o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, antes da votação.
"Vocês estão ao lado do povo americano, que está exausto com as guerras intermináveis no Médio Oriente, ou estão ao lado de Donald Trump [Presidente dos Estados Unidos] e Pete Hegseth [secretário de Defesa norte-americano], que nos arrastam de cabeça para mais uma guerra?", questionou.
Já o senador John Barrasso, segundo na liderança republicana no Senado, disse durante o debate que os senadores do Partido Republicano enviariam uma mensagem de que os democratas estão errados ao forçar uma votação sobre a resolução relativa aos poderes de guerra.
"Os democratas preferem obstruir Donald Trump a destruir o programa nuclear nacional do Irão", acrescentou.
A rejeição da legislação ocorre num momento em que o Governo de Trump ofereceu explicações variadas e, por vezes, contraditórias para a guerra, levantando questões sobre legalidade da mesma e criando um dilema para alguns congressistas, que foram chamados a posicionar-se sobre um conflito que já custou a vida a seis militares norte-americanos.
A senadora republicana Joni Ernst, do Iowa, reconheceu o custo humano da guerra no seu discurso no plenário.
Um dos soldados mortos no domingo era do Iowa.
"Mas agora temos a oportunidade de pôr fim a décadas de caos", declarou Ernst, que serviu como oficial na Guarda Nacional de Iowa por duas décadas.
A votação de hoje também acontece a poucos meses das eleições intercalares e num momento em que as sondagens mostram que o conflito é profundamente impopular entre os norte-americanos.
Embora o Congresso seja o único órgão autorizado a declarar guerra, uma lei de 1973 permite ao Presidente norte-americano lançar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência criada por um ataque contra os Estados Unidos.
Na segunda-feira, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, utilizou o termo "guerra" para descrever o conflito em curso com o Irão, e não simplesmente uma intervenção limitada.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado uma série de ataques conjuntos contra o Irão, durante os quais o líder supremo, Ali Khamenei, no poder desde 1989, e vários elemento da liderança militar de Teerão foram mortos.
O Irão jurou vingar a morte de Khamenei e, desde sábado, numerosos alvos dos países vizinhos do Golfo Pérsico, que albergam a presença militar norte-americana, foram bombardeados pela República Islâmica.
Enquanto o Presidente norte-americano afirmou que a operação iniciada no sábado visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial" ao seu país.