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A Guerra Mundo

Kiev acusa Rússia e Hungria de manipulação cínica após libertação de prisioneiros

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Foto Shutterstock

A Ucrânia acusou hoje a Hungria e a Rússia de manipulação cínica depois de Moscovo anunciar a libertação de dois prisioneiros com dupla nacionalidade, ucraniana e húngara, capturados pelo exército russo na linha da frente.

"É impressionante o cinismo de utilizar a questão da libertação destes indivíduos para fins de relações públicas políticas em vésperas de eleições na Hungria e como moeda de troca nas relações com o Kremlin", condenou o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano em comunicado.

A diplomacia de Kiev acrescentou que "esta não é a primeira vez que Moscovo e Budapeste manipulam a questão sensível dos prisioneiros de guerra", apontando a existência de vários casos transferidos para a Hungria, sem que tenha recebido qualquer informação oficial.

"Por este motivo, o encarregado de negócios da Hungria será convidado a vir ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para obter dados fiáveis. O lado ucraniano também solicitará o acesso aos indivíduos que foram devolvidos", referiu o comunicado, insistindo que nem o líder russo, Vladimir Putin, nem a liderança em Budapeste "conhecem limites quando se trata de cinismo".

O Presidente da Rússia anunciou ter ordenado a libertação dos dois prisioneiros, que disse terem sido mobilizados à força, numa reunião em Moscovo com o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto.

A situação de prisioneiros com dupla nacionalidade foi também discutida na terça-feira por Putin e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

"Durante a nossa conversa telefónica, o primeiro-ministro Orbán também levantou esta questão e pediu que fosse considerada a possibilidade de libertar cidadãos húngaros capturados pelo exército russo", afirmou Putin.

A Hungria, um dos poucos países da NATO e da UE que mantêm laços com Moscovo desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, tem uma grande minoria neste país, sobretudo na região ocidental da Transcarpátia.

Na semana passada, o Ministério da Defesa russo divulgou um vídeo que mostrava um prisioneiro de guerra, alegadamente com dupla nacionalidade, a afirmar que foi recrutado à força na Ucrânia antes de ser capturado na frente pelas tropas russas.

Orbán tem criticado frequentemente o recrutamento de homens da minoria húngara no exército ucraniano numa guerra que "não lhes pertence".

O encontro entre Putin e Szijjarto proporcionou também uma oportunidade para discutir o bloqueio do fornecimento de crude pelo oleoduto Druzhba, proveniente da Rússia e que atravessa a Ucrânia.

A Hungria e a Eslováquia acusam Kiev de adiar a reparação de um troço do oleoduto danificado por um ataque aéreo russo em janeiro, prejudicando os seus países.

Após o início da invasão russa, a UE impôs uma proibição à maior parte das importações de petróleo da Rússia.

No entanto, o oleoduto Druzhba foi temporariamente isentado para permitir aos países da Europa Central encontrar soluções alternativas.

No entanto, Budapeste ameaça bloquear a adoção do 20.º pacote de sanções da UE contra a Rússia e um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev até que garanta o reatamento do fornecimento pelo oleoduto.