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Guerra no Irão Mundo

Montenegro afirma que Portugal não acompanhou acção militar dos EUA e Israel

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O primeiro-ministro afirmou hoje que Portugal não esteve envolvido, não acompanhou ou subscreveu a intervenção militar norte-americana e israelita no Irão, mas salientou que o país está mais próximo do seu aliado Estados Unidos.

Luís Montenegro fez estas afirmações em resposta a uma intervenção do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, no debate quinzenal, na Assembleia da República.

José Luís Carneiro abriu a sua intervenção dizendo que, "de forma clara e inequívoca", o PS condena a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão, mas também repudia o regime "teocrático" iraniano.

A seguir, o primeiro-ministro respondeu que o Governo "não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido" nessa intervenção militar, mas salientou que Portugal é aliado e está mais próximo dos Estados Unidos.

Neste ponto, o primeiro-ministro começou por assinalar que "o Estado Português defende a via diplomática e negocial para garantir a paz internacional".

 "Tendo havido uma ação militar dos EUA, Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar. O que não quer dizer que não esteja a acompanhar, desde a primeira hora, no contexto das nossas relações com os nossos parceiros da União Europeia e da NATO - e também no contexto das nossas relações com todos os parceiros na região onde esta operação foi desencadeada", afirmou.

Segundo o primeiro-ministro, neste conflito "está envolvido um aliado e um parceiro de Portugal - membro da NATO, e com o qual há uma relação bilateral muito extensa, incluindo no plano da segurança e da defesa - face a um outro país envolvido que viola de forma reiterada o direito internacional, que tem em curso um programa nuclear e que tem em curso um programa de armamento com mísseis balísticos de longo alcance".

"Nesse contexto, não haja dúvidas que Portugal tem, objetivamente, uma relação muito mais próxima com o nosso aliado, os Estados Unidos da América. Quero dizer isto de forma clara e inequívoca. Perante um conflito, o Governo português, obviamente, que fez a sua análise e fez também a sua interação numa tripla dimensão: União Europeia, NATO, parceiros na Zona do Golfo", acrescentou.

Antes, José Luís Carneiro tinha frisado que o PS "critica de forma inequívoca e clara a intervenção norte-americana e israelita no Irão, porque ocorre à margem do direito internacional, da Carta das Nações Unidas, da NATO e dos acordos internacionais".

"Criticamos de forma veemente a resposta do Irão, que mostrou não apenas uma resposta desproporcional em relação ao direito internacional à legítima defesa, como contribuiu para exibir o poder de desestabilização de um regime teocrático e obscurantista", disse.

Mas José Luís Carneiro visou novamente os Estados Unidos ao declarar que o PS manifesta solidariedade "ao Reino Unido e à Espanha, que nas últimas horas foram objeto de chantagem inaceitável da parte de aliados".

"A União Europeia tudo deve fazer para defender os seus Estados-membros. O império da força não se pode impor às regras e às normas do direito internacional", advertiu o secretário-geral do PS.