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Criminalidade económico-financeira aumentou 22% em 2025

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A criminalidade na área económico-financeira teve em 2025 um aumento de 22% nos inquéritos entrados, especialmente relacionados com o crime de branqueamento, indica o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), hoje divulgado.

Segundo o documento, o aumento relativo a 2024 superou também o número total contabilizado em 2023 e no tipo de crime manteve-se a tendência de aumento acentuado do crime de branqueamento, "detentor da maior proporção do total de infrações económico-financeiras, verificando-se um aumento de 42%".

O documento, que analisa os principais fatores de segurança relativos a 2025 e que foi hoje entregue no parlamento, refere que esta evolução estará relacionada com a crescente utilização de plataformas informáticas, criando oportunidades para esse tipo de criminalidade, "cujas vantagens obtidas são depois integradas em circuitos financeiros internacionais".

Em segundo lugar, mas a grande distância, surge a corrupção ativa, com um crescimento de 17%, seguida do abuso de poder, que registou uma ligeira diminuição (-1%).

Ainda que menos expressivo, há um aumento nos ilícitos de prevaricação de titular de cargo político, fraude e desvio de subsídios, corrupção de titulares de cargos políticos, corrupção ativa no setor privado, corrupção ativa no desporto, corrupção passiva, corrupção passiva no setor privado, corrupção passiva no desporto e corrupção no comércio internacional.

Ao contrário, houve uma diminuição dos ilícitos de peculato, insolvências, recebimento indevido de vantagem, peculato de uso, participação económica em negócio, tráfico de influência e fraude e desvio de subsídio.

Quanto à constituição de arguidos houve um aumento de 50% em 2025, relativamente a 2024, a mesma variação que no período 2024-2023. Dos arguidos constituídos (1.917), 66% eram homens, embora haja uma tendência de crescimento de arguidos do sexo feminino.

Segundo o documento, o crime de branqueamento é a infração com o maior número de arguidos, 53% do total, seguido do crime corrupção ativa (11%) e insolvência (8%).

Dos 175 detidos, um aumento de 154%, 85% eram do sexo masculino.

Estes valores indicam um retorno à tendência ascendente, resultante do acréscimo que se deve a "um assinalável aumento do número de detenções" por branqueamento (mais 229%).

Além do branqueamento, há apenas registo de detenções no âmbito da corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, corrupção passiva no setor privado (crescimento face a 2024) e na categoria crimes fiscais e aduaneiros.

No documento nota-se que de forma geral há uma propensão para o recurso a meios informáticos na prossecução de crimes de âmbito económico-financeiro, nomeadamente com recurso à "deep e/ou dark web". E admite-se que esses crimes associados ao meio informático continuem a acentuar-se.

O RASI identifica ainda um risco de potencial aumento de crimes de corrupção e conexos na área da saúde, sobretudo no âmbito dos procedimentos contratuais de aquisição de bens e serviços, alicerçado na insuficiência generalizada de recursos humanos, estruturas, equipamentos e material médico.