África do Sul e Etiópia anunciam medidas face à escassez de combustíveis
A África do Sul e a Etiópia anunciaram hoje medidas para fazer face à escassez de combustíveis, com impacto direto no aumento do preço destes produtos nestes países africanos, devido à guerra no Médio Oriente.
O Governo sul-africano anunciou hoje a redução durante um mês de parte dos impostos sobre os combustíveis, o que não impede que o gasóleo aumente 40% no posto de abastecimento devido à guerra no Médio Oriente.
Esta medida foi anunciada na véspera da entrada em vigor, no país, a 01 de abril, de novos preços dos combustíveis, que são reavaliados todos os meses.
O custo estimado desta medida, que poderá ser prolongada por um segundo mês, é de 6 mil milhões de rands, cerca de 300 milhões de euros, por mês.
"Não sei onde vou encontrar este dinheiro", admitiu o ministro das Finanças, Enoch Godongwana, perante os meios de comunicação.
A gasolina, que aumenta 15%, torna-se mais barata do que o gasóleo. Este atinge 26,11 rands (1,33 euro), com um aumento de mais de sete rands apesar de uma redução de três rands no imposto.
Este aumento de preços pode afetar os setores mineiro e agrícola, dois pilares da principal economia do continente.
Os táxis coletivos, que constituem o principal meio de transporte no país, poderão ter de aumentar os seus preços, o que será sentido por toda a população.
Também as autoridades etíopes, que reconhecem "escassez" de combustível provocada pela guerra no Médio Oriente, anunciaram hoje que vão dar prioridade a "certos veículos" nas estações de serviço.
A Etiópia, gigante da África Oriental e país sem saída para o mar com cerca de 130 milhões de habitantes, enfrenta há vários dias longas filas em frente às estações de serviço.
O prolongamento do conflito e o bloqueio pelo Irão do estreito de Ormuz, pelo qual passa um quinto do petróleo mundial, perturba seriamente os abastecimentos de muitos países, incluindo a Etiópia, que importa a totalidade das suas necessidades de combustíveis, que transitam pelo porto de Djibuti.
Alguns veículos, nomeadamente aqueles "transportando bens de primeira necessidade", "os tratores que contribuem para a modernização da agricultura" ou ainda "os veículos de transporte público", terão prioridade a partir de hoje nas estações de serviço, anunciou o ministério do Comércio.
As autoridades de Adis Abeba esclareceram "que, devido à guerra e à instabilidade, o abastecimento diário de gasóleo diminuiu, passando de 9,2 milhões de litros para 4,5 milhões de litros".
As autoridades federais também exortaram a população a "usar o combustível com parcimónia", a "dar prioridade aos deslocamentos a pé", a "utilizar os transportes públicos" e a "privilegiar as energias renováveis".
O país, o segundo mais populoso do continente africano, tem promovido há vários anos o veículo elétrico.
No final de 2025, os veículos elétricos representavam ainda apenas 7% da frota automóvel, segundo o ministério dos Transportes.
Os preços aumentaram nos últimos dias nas bombas de gasolina, o que coloca pressão sobre a população num país já confrontado com uma forte inflação (10% anual) e onde 40% dos habitantes vivem abaixo do limiar de pobreza. Estão previstas eleições legislativas a 01 de junho.
No Médio Oriente, o estratégico estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o transporte de petróleo e gás, está bloqueado desde o início da guerra entre o Irão por um lado e os Estados Unidos juntamente com Israel por outro.
Desde o início da guerra, o tráfego no estreito caiu cerca de 95%, de acordo com a plataforma de monitorização marítima Kpler.
As repercussões fazem-se sentir em todos os mercados energéticos mundiais.