Espanha concede nacionalidade a dirigente da oposição Leopoldo López
Espanha vai conceder nacionalidade espanhola ao dirigente da oposição venezuelana Leopoldo López, que vive exilado em Madrid desde 2020, anunciou hoje o Governo.
Em 2025, o regime da Venezuela, na altura ainda dirigido por Nicolás Maduro, retirou o passaporte e a nacionalidade venezuelana a Leopoldo López.
Neste contexto, Leopoldo López pediu no final de 2025 às autoridades de Espanha a atribuição de nacionalidade espanhola por uma via excecional, conhecida no país como "via expresso", e que reconhece casos especiais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, revelou que o pedido de Leopoldo López será atendido e o Governo espanhol aprovará em breve um decreto que concederá a nacionalidade ao político venezuelano.
Leopoldo López Mendoza lidera o partido Vontade Popular, de oposição ao regime da Venezuela, e esteve também na origem, em 2022, da aliança internacional World Liberty Congress (WLC), que junta personalidades que defendem a democracia e denunciam ditaduras, como o dissidente russo Gary Kasparov e a ativista iraniana Masih Alinejad.
O político venezuelano, nascido em 1971 e antigo presidente da câmara de Caracas, foi detido na capital da Venezuela em 2014 e condenado a 14 anos de prisão, depois de ter sido acusado de encabeçar atos violentos das marchas daquele ano contra o governo de Nicolás Maduro.
Leopoldo López esteve numa prisão militar quase três anos e passou depois a prisão domiciliária, até ser libertado em abril de 2019 por militares que se opunham ao regime e eram apoiantes do então presidente do parlamento, Juan Guiadó, que se autoproclamou Presidente legítimo do país e assim chegou a ser reconhecido por cerca de 50 países.
Depois de libertado, Lepoldo López viveu na embaixada de Espanha em Caracas, até sair de forma clandestina do país e viajar até Madrid, em 2020, onde permanece até hoje, exilado.
Em outubro do ano passado, o então Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) a revogação da nacionalidade de Leopoldo López, que acusou de apelar "à invasão militar" do país.
Maduro fez o pedido depois de López ter afirmado que as negociações já não eram úteis para alcançar mudanças políticas no seu país e que a solução poderia passar pela pressão dos Estados Unidos.
López disse, inclusivamente, apoiar um ataque americano em solo venezuelano para derrubar Maduro.
No início de janeiro deste ano, os Estados Unidos capturaram Maduro e a sua mulher Cilia Flores numa operação militar em Caracas e a até então "número dois" do regime, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país.