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Governo cubano aberto a "diálogo sério" com os EUA mas sem ingerência na política interna

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FOTO MAURICIO DUENAS CASTANEDA/EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, manifestou hoje a disponibilidade do Governo para um "diálogo sério e responsável" com os Estados Unidos, mas sem "interferência" nos assuntos internos da ilha.

Durante o seu discurso numa reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá, Rodríguez afastou a aceitação de qualquer ingerência nos assuntos internos de Cuba ou no seu sistema político, económico ou social.

O ministro cubano denunciou o recente endurecimento do embargo imposto à ilha, no qual Washington ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda petróleo a Cuba.

"A isto acresce a inclusão arbitrária de Cuba na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo, as ameaças de agressão militar e o recente decreto executivo que procura impor um bloqueio total ao nosso fornecimento de combustível, sob a premissa de que as dificuldades económicas e o consequente custo humano forçarão o nosso povo a renunciar à sua soberania e independência", declarou, na capital colombiana.

Neste sentido, criticou "o regresso de práticas imperialistas agressivas, seja de forma totalmente explícita ou apenas disfarçada pela retórica moderna".

"A doutrina da paz pela força, defendida por Washington, é o novo termo para dominação, intervenções militares, ameaças e uso da força", afirmou.

Em contrapartida, o governante enfatizou que Cuba "continua aberta à colaboração em iniciativas de cooperação Sul-Sul".

"Nenhuma campanha difamatória pode ou irá apagar o impacto comprovado e significativo da colaboração de Cuba com países de todas as regiões durante mais de seis décadas, particularmente na área da saúde", observou.

O ministro agradeceu, por isso, aos governos de África, da América Latina e das Caraíbas pela contínua solidariedade com a ilha e pelo apoio nos fóruns internacionais.

   A administração norte-americana e o Governo de Cuba continuam a negociar acerca da raiz do bloqueio energético imposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, à ilha, após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, em 03 de janeiro.

   O país caribenho vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o bloqueio petrolífero imposto pelo Governo dos Estados Unidos, quando Washington bloqueou a comercialização de petróleo venezuelano para a ilha.

   Na segunda-feira, Trump mostrou-se convencido de que terá "a honra" de assumir o controlo de Cuba, uma ilha com a qual espera poder "fazer o que quiser", após uma "tomada amistosa", em declarações que mereceram o repúdio do Governo de Havana.

Na sexta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a situação de Cuba está "pior do que nunca", sob um Governo que é "um desastre".

Rubio negou, porém, que a administração norte-americana tenha pedido aos seus interlocutores em Cuba a renúncia do Presidente Miguel Díaz-Canel.