Países árabes condenam ataques retaliatórios iranianos perante ONU
Os países árabes condenaram hoje, perante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, os ataques militares do Irão contra vários Estados do Médio Oriente.
O Grupo dos Estados Árabes, em particular, considerou que os ataques iranianos constituíam uma violação "extremamente grave" do direito internacional e ameaçavam a estabilidade regional, diante do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, cujos debates de hoje foram em grande parte dedicados à situação no Médio Oriente.
"Os países árabes procuravam fortalecer o diálogo e a transparência. Esta é uma escalada injustificável que desestabiliza todos os esforços pela paz e estabilidade", disse o embaixador saudita, Abdulmohsen Majed Bin Khothaila, falando em nome do grupo.
Os seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo - Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos - assim como a Jordânia, todos afetados pelas represálias de Teerão, também condenaram conjuntamente essas "agressões", que ocorreram apesar dos "esforços para evitar uma escalada na região".
Omã desempenhou um papel de mediador na quinta-feira em Genebra, durante a terceira ronda de negociações entre representantes norte-americanos e iranianos.
Dois dias depois, Washington e Israel lançaram um ataque ao Irão, o que provocou uma retaliação iraniana no Golfo.
"Apelamos à cessação imediata das operações militares (...) e à retoma do diálogo, pois esta é a única forma possível de resolver as nossas divergências", afirmou Mohamed Al-Bulushi, representante permanente adjunto de Omã.
"Aterrorizar civis em países que procuram a paz é um crime hediondo", declarou o embaixador do Kuwait, Naser Abdullah HM Alhayen.
Por sua vez, o embaixador iraniano, Ali Bahreini, lembrou que o seu país foi "vítima de ataques militares indiscriminados e invasivos perpetrados pelos Estados Unidos e pelo regime israelita".
Alegou que escolas iranianas foram bombardeadas, hospitais atacados, líderes assassinados e que "mais de 160 meninas inocentes foram massacradas em Minab", na província de Hormozgan, no sul do país.
"O assassínio deliberado de civis" viola abertamente a Carta da ONU, observou.
"A agressão militar ilegal e contínua contra o Irão ilustra a primazia da força bruta sobre os princípios dos direitos humanos", defendeu ainda Ali Bahreini.
Já a União Europeia apelou à máxima contenção, enquanto o grupo africano afirmou que a situação estava a corroer a confiança entre as nações.
A Turquia, vizinha do Irão, considerou a gravidade da situação "inquestionável".
"Estamos à beira do precipício", declarou o embaixador turco, Burak Akçapar.
Alguns países expressaram apoio ao Irão, como Venezuela, Cuba e China, que declararam que o ataque EUA-Israel "viola brutalmente os direitos humanos do povo iraniano" e que o assassínio do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, "mina seriamente a soberania do Irão".
Israel e Estados Unidos (EUA) lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região do Golfo e alvos israelitas.