Zelensky alerta para impacto da guerra e pede desbloqueio de empréstimo europeu de 90 mil milhões
O Presidente ucraniano disse hoje que a tensão no Médio Oriente também afeta a guerra na Ucrânia e apelou à UE para desbloquear o empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev acordado há meses.
"A crise no Médio Oriente afeta decididamente todo o mundo", incluindo a guerra na Ucrânia, disse Volodymyr Zelensky, em Madrid, segundo uma tradução simultânea para espanhol das declarações que fez em ucraniano e inglês, depois de um encontro com o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez.
Zelensky referiu a crise energética e a possibilidade de falta ou escassez de armamento e de outros materiais de defesa, como mísseis antiaéreos, por estarem a ser disputados por outros países que agora também precisam desses equipamentos com urgência.
"Ninguém parou o abastecimento à Ucrânia. Continuamos a receber carregamentos, menos, mas estão a chegar", afirmou, referindo estar a falar com os líderes europeus para saber com o que poderá contar a Ucrânia no cenário de défice ou falta de material.
Zelensky considerou ser prioritário e essencial, tanto para a Ucrânia como para a UE, que Bruxelas desbloqueie o empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev já acordado em finais de 2025, mas em relação ao qual agora a Hungria assume reservas.
O Presidente ucraniano disse que, face à situação mundial e ao impacto da crise no Médio Oriente, a Ucrânia tem de aumentar a produção própria de material militar e os fundos acordados no seio da UE para ajuda a Kiev são essenciais.
"Contamos que os países da UE encontrem uma forma de resolver este problema", afirmou o chefe de Estado ucraniano, dizendo que seria "injusta uma reconsideração" dos acordos já alcançados.
Depois da visita a Espanha, Zelensky viaja para Bruxelas, onde há reunião, na quinta-feira, do Conselho Europeu, num encontro em que os líderes dos países-membros da UE devem abordar a concretização do empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev.
Espanha anuncia mil milhões de euros em ajuda militar este ano
Espanha vai desbloquear mil milhões de euros em "apoio bilateral militar à Ucrânia" este ano, anunciou hoje o primeiro-ministro espanhol, no final de um encontro com o Presidente ucraniano, em Madrid.
Os dois países assinaram vários acordos de cooperação que incluem projetos para o "fabrico conjunto" de materiais militares pelas respetivas indústrias de defesa, disse Pedro Sánchez, que garantiu a Volodymyr Zelensky que Espanha vai continuar a apoiar incondicionalmente a Ucrânia, tanto na defesa do ataque da Rússia, como na adesão à União Europeia (UE).
Em maio de 2024, Espanha e Ucrânia assinaram um acordo bilateral para apoio militar regular a médio prazo de Madrid a Kiev e, segundo Sánchez, o Governo espanhol já disponibilizou quase quatro mil milhões de euros de ajuda aos ucranianos nos últimos quatro anos, desde o início do ataque da Rússia, em fevereiro de 2022.
A visita de hoje a Madrid é a quarta que Zelensky faz a Espanha desde fevereiro de 2022 e, além do encontro com Sánchez, o Presidente da Ucrânia vai também ser recebido pelo Rei Felipe VI e passará pelo parlamento nacional.
Na conferência de imprensa ao lado de Sánchez, Zelensky agradeceu o apoio de Espanha desde o início da guerra e a "colaboração estrutural" de Madrid, segundo a tradução simultânea para espanhol das declarações que fez em ucraniano.
Zelensky realçou que a guerra na Ucrânia continua a ser "muito dura" e "não diminuiu", com "ataques massivos" da Rússia a cidades e infraestruturas essenciais ucranianas, e considerou essencial o apoio dos parceiros europeus.
Sánchez, por seu lado, garantiu que "Espanha não vai deixar de olhar para a Ucrânia".
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.