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PCP critica atitude "antidemocrática" do Governo ao não receber CGTP na concertação social

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Foto Lusa

A líder parlamentar do PCP acusou hoje o Governo de ter uma atitude "inaceitável" e "antidemocrática" ao não receber a CGTP na reunião desta tarde com a UGT e as associações patronais para discutir o pacote laboral.

"O que o Governo está a fazer é profundamente inaceitável, está a deixar de parte a confederação sindical mais representativa no nosso país, pondo-a de parte da discussão da legislação laboral a CGTP", afirmou.

Paula Santos comentava a situação de a CGTP ter-se deslocado, esta tarde, ao Ministério do Trabalho, em Lisboa, mesmo sem ter sido convocada, e não ter sido incluída na reunião da concertação social entre Governo, UGT e confederações patronais.

O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, disse ter sido recebido pelo chefe de gabinete da ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, e um assessor do secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira.

Para Paula Santos, que falava após um encontro com a direção do Hospital Santa Luzia, em Viana do Castelo, realizada no âmbito das jornadas parlamentares do partido, esta posição do Governo "revela muito" das suas verdadeiras intenções e trata-se de uma "atitude antidemocrática".

Questionada sobre se concorda com a forma de protesto da CGTP, de comparecer mesmo sem ser convidada, a líder da bancada comunista pediu que se explicasse porque é que esta central sindical foi excluída.

A deputada do PCP considerou ainda que não há espaço para negociação, porque este pacote laboral "não tem solução" a não ser a sua retirada.

"É, de facto, uma declaração de guerra aos trabalhadores, é ofensivo, numa situação em que nós vivemos, que o Governo aquilo que tenha a propor é mais precariedade, mais exploração, mais desregulação dos horários de trabalho, facilitação de despedimentos, isto revela, de facto, o objetivo que o Governo tem de tentar impor um retrocesso enorme no que diz respeito à legislação laboral", atirou.

Na reunião desta tarde, estiveram em cima da mesa, explicou Paula Santos, questões como a falta de de profissionais de saúde no distrito de Viana do Castelo, tendo a deputada do PCP defendido a necessidade de valorizar as carreiras, melhorar as condições de trabalho e investir em instalações e equipamentos para garantir a prestação de cuidados de saúde à população.

Segundo Paula Santos, a carência de profissionais é sentida em todo o país e também no distrito, referindo que há vagas por preencher no internato médico e concursos de contratação que ficam sem candidatos.

"A intervenção na área da saúde é uma área que é absolutamente prioritária neste momento, face até à acelerada degradação no geral dos cuidados de saúde. Isso exige investimento, exige valorização dos profissionais, mas exige o investimento no Serviço Nacional de Saúde", afirmou, garantindo que essa será uma matéria presente na intervenção parlamentar do partido.

Entre as matérias abordadas esteve também a necessidade de avançar com a instalação de um serviço de radioterapia no hospital de Viana do Castelo, investimento que, segundo foi transmitido ao PCP pela administração, não está atualmente previsto.