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Guerra no Irão Mundo

Líder da oposição israelita apresenta moção de censura ao Governo de Netanyahu

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Foto AFP

O líder da oposição israelita, Yair Lapid, apresentou hoje uma moção de censura ao Governo liderado por Benjamin Netanyahu, apesar de o seu partido, Yesh Atid, ter recentemente declarado como política "não votar moções de censura".

A medida foi apresentada enquanto prossegue a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, iniciada a 28 de fevereiro e justificada com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

"Não queria apresentar uma moção de censura hoje, mas não me deram outra opção", declarou Lapid, argumentando que foi forçado a fazê-lo porque a coligação governamental de direita e extrema-direita "está a aprovar legislação controversa não-relacionada com o esforço de guerra e a transferir milhões de shekels de fundos governamentais para a comunidade ultraortodoxa no meio de um conflito armado".

Sublinhou que a sua intenção não era levar por diante esta medida "durante uma guerra".

"É uma guerra cujos objetivos partilho e que apoio há duas semanas e meia", afirmou, embora se tenha oposto à agenda legislativa do Governo de Netanyahu, no qual nega "ter qualquer confiança", noticiou o diário The Times of Israel.

Após o início, a 28 de fevereiro, da ofensiva conjunta contra o Irão, que resultou em mais de 1.200 mortos em território iraniano, a atividade parlamentar foi suspensa e só foi retomada vários dias depois.

Embora inicialmente limitada a debates sobre legislação relacionada com a guerra, questões orçamentais e reuniões de comissões parlamentares importantes, após uma pausa de duas semanas, o Governo reabriu o debate no plenário, numa tentativa para alimentar o mercado da comunicação social e introduzir outras medidas polémicas.

Uma delas é a separação do cargo de procurador-geral e outra, a criação de uma comissão nomeada politicamente para investigar as falhas de 07 de outubro de 2023, durante o ataque armado do grupo islamita palestiniano a Israel que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

"Nada é mais óbvio que o plano do Governo: que, por causa da guerra, permaneçamos em silêncio enquanto desmantelam o país. Não funcionará. Continuaremos a apoiar as forças de segurança, mas não conseguirão silenciar-nos", sustentou Lapid.