Coreia do Norte realiza exercício com sistema de lançamento múltiplo de foguetes
A Coreia do Norte realizou um teste ao seu sistema de lançamento múltiplo de foguetes de 600 milímetros, considerado de última geração, anunciou no sábado a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.
Este exercício ocorreu no mesmo dia em que Pyongyang lançou cerca de uma dezena de mísseis balísticos em direção ao mar do Japão, segundo a Coreia do Sul, que realiza esta semana exercícios militares anuais com os Estados Unidos, tendo a Coreia do Norte criticado essa ação.
De acordo com a KCNA, o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong Un, supervisionou este teste, que "mobilizou doze lançadores múltiplos de foguetes de alta precisão de calibre 600 milímetros e duas companhias de artilharia".
Kim Jong-un disse que este exercício iria incutir uma sensação de inquietação entre os inimigos de Pyongyang, "localizados num raio de ataque de 420 quilómetros", bem como uma "profunda consciência do poder destrutivo das armas nucleares táticas", segundo relata a agência de notícias oficial norte-coreana, citada pela France-Presse.
Este novo sistema foi oficialmente apresentado em fevereiro como único no mundo e capaz de transportar ogivas nucleares.
A KCNA afirmou que "os 'rockets' atingiram o alvo" localizado numa ilha do mar do Leste, "a uma distância de aproximadamente 364,4 quilómetros, com uma precisão de 100%, provando uma vez mais o poder destrutivo do seu ataque concentrado e o valor militar do sistema."
O líder norte-coreano elogiou o novo sistema como uma "arma muito letal, mas atraente".
O teste foi realizado poucos dias depois do início de exercícios militares conjuntos programados para decorrer até 19 de março, envolvendo aproximadamente 18.000 soldados sul-coreanos e americanos, numa altura em que Washington também intensifica a guerra contra o Irão.
Antes, as forças armadas da Coreia do Sul informaram ter detetado "cerca de 10 mísseis balísticos não identificados lançados a partir da região de Sunan, na Coreia do Norte, em direção ao mar do Leste por volta das 13:20 de hoje (sábado)" (04:20 em Lisboa), de acordo com o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, referindo-se ao conhecido internacionalmente como mar do Japão.
De acordo com os militares sul-coreanos, os mísseis percorreram cerca de 350 quilómetros.
A Casa Azul, residência oficial do Presidente da Coreia do Sul em Seul, condenou "uma provocação que viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU" e instou Pyongyang a cessar imediatamente tais ações.
Inicialmente, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou que a Coreia do Norte tinha disparado hoje pelo menos um projétil não identificado em direção ao mar do Japão, sem referir se era um míssil balístico ou qual a distância percorrida.
Recentemente, Pyongyang frustrou as esperanças de uma distensão diplomática com Seul, um importante aliado de Washington, ao descrever os seus últimos esforços de paz como uma "farsa desajeitada e enganadora".
Na terça-feira, Kim Yo-jong, irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, criticou Washington e Seul por prosseguirem os exercícios numa altura perigosa para a segurança global, e alertou que qualquer desafio à segurança da Coreia do Norte traria "consequências terríveis".
A Coreia do Norte tem rejeitado repetidamente os apelos de Washington e Seul para retomar a diplomacia com o objetivo de pôr fim ao programa nuclear do país.
As negociações foram interrompidas em 2019, após o fracasso da segunda cimeira de Kim Jong-un com o Presidente norte-americano, Donald Trump, durante o seu primeiro mandato.
Kim Jong-un tornou a Rússia a prioridade da política externa da Coreia do Norte, enviando milhares de soldados e grandes quantidades de equipamento militar para apoiar a guerra de Moscovo na Ucrânia, possivelmente em troca de ajuda e tecnologia militar.