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Madeira

“Foi feito um trabalho titânico” para levar a música às escolas

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Foto Rui Silva/ Aspress

Carlos Gonçalves recordou o processo que permitiu alargar o ensino da música às escolas da Madeira, descrevendo-o como um “trabalho titânico” que, em poucos anos, levou a educação musical a praticamente toda a Região.

Durante a mesa redonda dedicada aos “50 anos da Autonomia e o impacto na Educação na Madeira”, o antigo presidente do Conservatório explicou que o projecto começou com duas escolas-piloto no Funchal, onde acompanhava semanalmente as aulas dadas por professores que entretanto formava.

O trabalho evoluiu rapidamente. No ano seguinte, a Secretaria Regional da Educação destacou 12 professores para integrar o projecto, muitos deles antigos alunos do Conservatório.

“Fui buscar os meus melhores alunos e vieram logo trabalhar comigo. Depois colocávamos os professores nas zonas de onde eram naturais, na Ponta do Sol, em Machico ou noutros concelhos, para ir espalhando a rede”, recordou.

Em cerca de oito anos, a rede de ensino musical já cobria toda a Madeira, numa altura em que existiam ainda muitas pequenas escolas espalhadas pelo território.

“Os nossos professores andavam de escola em escola, com os instrumentos às costas, um gravador na mão, uma guitarra e uma mochila”, descreveu, evocando o esforço feito para garantir que todas as crianças tivessem contacto com a música.

Para Carlos Gonçalves, o sucesso do projecto assentou em três pilares fundamentais.

O primeiro foi o apoio governamental, que considerou decisivo para garantir recursos e financiamento. Para manter esse apoio, explicou, foi essencial mostrar publicamente os resultados do trabalho realizado.

Foi nesse contexto que surgiram apresentações públicas de alunos, designadas “Música no Ensino Primário”, onde as crianças mostravam o que aprendiam nas escolas.

O segundo pilar foi a formação contínua de professores. Nos anos 80 não existiam em Portugal cursos superiores específicos para o ensino da educação musical, o que obrigou à criação de programas próprios de formação.

“Muitos dos professores foram preparados por nós, com formação que acontecia todos os sábados de manhã”, explicou.

Só nos anos 90 começaram a surgir escolas superiores de educação no país a formar professores nesta área, alguns dos quais acabariam por vir trabalhar para a Madeira.

O terceiro pilar foi o envolvimento das escolas em toda a Região, garantindo uma ligação permanente entre professores, direções escolares e a estrutura regional do projecto.

Segundo Carlos Gonçalves, foi essa articulação que permitiu consolidar o modelo que ainda hoje sustenta a educação artística nas escolas da Madeira.