Sindicato recorda vida dedicada às palavras e ao jornalismo
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) recordou a vida de Mário Zambujal, que morreu hoje aos 90 anos, como dedicada às palavras, à curiosidade e, em particular, ao jornalismo.
"Hoje despedimo-nos de Mário Zambujal, jornalista e escritor, que nos deixa aos 90 anos. Despedimo-nos de uma longa vida, dedicada às palavras, à curiosidade e ao compromisso com o jornalismo", referiu, em comunicado, o SJ.
Para a estrutura sindical, a morte de Mário Zambujal representa não só a perda de um profissional respeitado, mas de um colega, que pertencia à geração que "acreditava profundamente no valor do jornalismo como serviço público".
O sindicato defendeu que Zambujal construiu o seu percurso com serenidade, tendo sido jornalista, numa época em que o trabalho exigia coragem e paciência, que deu, nos livros e reportagens, sentido ao tempo que viveu.
"Hoje despedimo-nos com tristeza, mas também com gratidão. Gratidão por uma vida dedicada às palavras, ao pensamento e ao jornalismo. Em nome do Sindicato dos Jornalistas, prestamos homenagem a Mário Zambujal e apresentamos à sua família, amigos e colegas as nossas mais sentidas condolências", referiu.
O jornalista e escritor Mário Zambujal morreu, aos 90 anos, anunciou hoje a editora Clube do Autor, que recorreu ao título do seu romance mais conhecido para lembrar o "eterno bom malandro".
"O seu legado será sempre relembrado por todos, sobretudo pelos seus fiéis leitores, bem como a sua enorme alegria de viver. Neste momento de dor, o Clube do Autor demonstra a sua solidariedade e apoio à sua família e amigos", escreveu a editora nas redes sociais.
Em reação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro lembrou que a "forma de comunicar [de Zambujal] cativava a atenção de quem o via e ouvia e fez escola no jornalismo português".
O escritor e jornalista Mário Zambuja estreou-se nos livros com o sucesso de "Crónica dos Bons Malandros", em 1980, quando era o conhecido 'pivot' do "Domingo Desportivo" da RTP1.
Na altura, porém, já somava anos de jornalismo, e de histórias escritas e contadas. Foi chefe de redação d'O Século, dirigiu o Mundo Desportivo, pertenceu aos quadros d'A Bola, do Diário de Lisboa e do Diário de Notícias, foi o primeiro diretor do semanário Se7e. E, "antes de saber escrever uma notícia, já tinha escrito muitas histórias - histórias da vida, das pessoas", como afirmou em entrevista ao Clube de Jornalistas, em 2023.