Polícia confirma libertação de empresário português raptado em Outubro em Maputo
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) moçambicano confirmou hoje à Lusa a libertação do empresário português raptado em 07 de outubro, no centro de Maputo, que, na sua opinião, resulta do trabalho feito pelas autoridades policiais.
"De facto o cidadão está no convívio familiar, desde antes de ontem [terça-feira]. Ele acabou por ser libertado e, pelos contactos que temos com a família, não há indício de ter havido algum tipo de resgate", disse hoje à Lusa o porta-voz do Sernic, Hilário Lole.
O responsável disse acreditar que a libertação do do empresário, de 69 anos, que também tem nacionalidade moçambicana, resulta da pressão feita pelas autoridades policiais, nas diligências para solucionar o crime.
"Acreditamos que [a libertação do empresário] resulta do trabalho que está a ser feito, pela pressão que está a ser feita a esses indivíduos, que acabaram, talvez, por preferir libertar o cidadão. Mas, mesmo assim, o trabalho continua para poder neutralizar esses indivíduos", assinalou.
Segundo Lole, a vítima ainda não fez o seu depoimento a polícia, estando agora a recuperar do período em que esteve em cativeiro.
"Ele [empresário português] ainda precisa de um período para recuperar, com a família e depois nós podemos ter alguma contribuição sua. Mas nós temos várias informações sobre o assunto no nosso banco de dados e o que ele vai dizer servirá muito para acrescentar mais algum valor ao trabalho que está a ser feito", concluiu.
Na quarta-feira, uma fonte da família da vítima confirmou à Lusa que o empresário foi solto no dia anterior e que já se encontrava na sua residência, em Maputo, capital do país, mas sem adiantar mais pormenores.
O empresário foi raptado na baixa de Maputo, em frente ao seu estabelecimento comercial, por um grupo que seguia numa viatura branca e sem chapa de matrícula, no primeiro caso do género conhecido então, publicamente, desde junho de 2025 em Moçambique.
Em 26 de janeiro, a família da vítima lançou uma petição pública manifestando "profunda preocupação" com o desaparecimento do cidadão, sem que até ao momento existisse informação pública clara sobre o seu paradeiro ou sobre avanços conclusivos nas investigações, pedindo o apoio da Polícia Judiciária portuguesa.
O Sernic anunciou, em 07 de outubro, a detenção de dois homens suspeitos de envolvimento no rapto do empresário português.
"Queremos confirmar a detenção de dois cidadãos nacionais, de idades entre 30 e 46 anos", disse em conferência de imprensa João Adriano, porta-voz do Sernic em Maputo, apresentando os dois suspeitos aos jornalistas.
O porta-voz disse que a investigação estava a correr a "passos largos" para a resolução do crime e reiterou que a "maior necessidade" era trazer a vítima ao convívio familiar: "A partir dos resultados obtidos, estamos cientes de que a breve trecho vamos convidar a imprensa para nos pronunciar a respeito da localização".
Segundo João Adriano, os suspeitos, que fazem parte de um grupo de oito pessoas envolvidas no rapto, foram detidos na estrada nacional 4 (N4), no distrito de Moamba, na província de Maputo, sul do país, quando se faziam transportar numa das viaturas usadas durante o crime.