Regime condena resolução do Conselho de Segurança
O Irão condenou hoje nas Nações Unidas (ONU) a resolução do Conselho de Segurança exigindo o fim de ataques iranianos a países do Golfo, após o chumbo de outra resolução russa que estendia essa exigência a Estados Unidos e Israel.
"Esta resolução é uma flagrante injustiça contra o meu país, a principal vítima de um claro ato de agressão", declarou o embaixador iraniano, Amir Saeed Iravani, perante o Conselho de Segurança, após aprovação de uma resolução, proposta pelo Bahrein, que exige a cessação imediata de todos os ataques do Irão contra os países do Golfo.
A resolução, apoiada por dezenas de países, incluindo Portugal, obteve 13 votos a favor e duas abstenções: Rússia e China.
O texto foi apresentado pelo Bahrein em nome dos Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que inclui Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), assim como da Jordânia.
Ignorando os ataques aéreos iniciais dos Estados Unidos e de Israel que desencadearam o conflito, a resolução condena os ataques da República Islâmica do Irão contra os países vizinhos do Golfo e determina que tais atos constituem uma violação do direito internacional e uma grave ameaça à paz e segurança internacionais.
Paralelamente, o Conselho de Segurança rejeitou uma resolução proposta pela Rússia, que instava "todas as partes" - incluindo assim Estados Unidos e Israel - a cessarem imediatamente os ataques no Médio Oriente.
O texto foi apoiado por 4 dos 15 membros do Conselho, com os Estados Unidos (que exerceram o seu poder de veto) e a Letónia a votarem contra, e nove a absterem-se, incluindo a França, o Reino Unido e a Colômbia.
A resolução, sem nomear qualquer país como agressor, instava "todas as partes a cessarem imediatamente as suas atividades militares e a absterem-se de novas escaladas no Médio Oriente e noutras regiões".
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão condicionou o tráfego no estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão mais de 1.200 civis mortos, entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, para cujo cargo foi entretanto escolhido o seu segundo filho, Mojtaba Khamenei.