Papa aceita demissão de bispo acusado de desviar 270 me de paróquia na Califórnia
O bispo norte-americano de uma pequena comunidade católica caldeia na região de San Diego renunciou ao cargo após acusações de ter desviado 270 mil dólares (233 mil euros) da sua paróquia, anunciou terça-feira o papa Leão XIV.
Emanuel Shaleta declarou-se inocente na segunda-feira de 16 acusações criminais, incluindo branqueamento de capitais, durante uma audiência que contou com a presença de muitos dos seus apoiantes.
A audiência ocorreu após a sua detenção na quinta-feira no Aeroporto Internacional de San Diego, quando tentava sair do país, segundo o Gabinete do Xerife do Condado de San Diego.
Shaleta, de 69 anos, é acusado de desviar fundos da Catedral Católica Caldeia de São Pedro, em El Cajon, a leste de San Diego.
Em agosto, alguém da igreja de Shaleta forneceu uma declaração e documentação "mostrando um possível desfalque na igreja", informou o gabinete do xerife num comunicado de imprensa.
O Vaticano informou no seu boletim diário de hoje que Leão XIV aceitou a renúncia de Shaleta de acordo com o código de direito canónico para igrejas de rito oriental, que permite ao papa concordar se um bispo pede para renunciar.
O boletim informou ainda que o cardeal iraquiano Louis Sako renunciou ao cargo de patriarca da Igreja Católica Caldeia, afirmando que deseja dedicar-se à "oração, à escrita e ao serviço simples".
Não é claro se a sua demissão está relacionada com o caso de Shaleta, noticiou a agência Associated Press (AP).
Leão XVI aceitou, de facto, a renúncia de Shaleta em fevereiro, mas o anúncio só foi feito esta semana, segundo a embaixada do Vaticano em Washington.
A Santa Sé parece ter aguardado para anunciar a decisão de forma a evitar interferir na investigação policial.
O procurador Joel Madero explicou que as acusações contra Shaleta estão relacionadas com pagamentos mensais de renda de mais de 30 mil dólares de um inquilino do salão social da igreja, que alegadamente desapareceram.
Madero apontou que existem discrepâncias nas contas da igreja e que Shaleta "apresentou versões completamente inverosímeis sobre o destino deste dinheiro".
Um juiz fixou a fiança em 125 mil dólares (108 mil euros) e apreendeu o passaporte de Shaleta.
Durante uma missa, em 22 de fevereiro, Shaleta abordou as acusações que lhe são imputadas, afirmando que nunca "abusou de um único cêntimo do dinheiro da Igreja".
"Pelo contrário, fiz o meu melhor para preservar e gerir as doações da Igreja adequadamente", vincou na altura.
A advogada de Shaleta, Sharon Appelbaum, afirmou que planeia demonstrar que as acusações são falsas.
Os sacerdotes da Eparquia Católica Caldeia de São Pedro Apóstolo divulgaram uma declaração manifestando solidariedade para com Shaleta.
Shaleta pode enfrentar até 15 anos de prisão se for condenado por todas as acusações, informou a justiça norte-americana, estando marcada uma audiência preliminar está marcada para 27 de abril.
A Igreja Católica Caldeia representa mais de um milhão de cristãos de língua aramaica, originários sobretudo do Iraque.
Embora as suas crenças estejam alinhadas com a doutrina católica romana, incluindo a Trindade e a divindade de Jesus, a igreja mantém as suas próprias tradições e identidade orientais antigas e distintas.