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Guerra no Irão Mundo

Putin negou a Trump partilha de informações com Teerão

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Foto EPA/GAVRIIL GRIGOROV/SPUTNIK/KREMLIN

O Presidente russo, Vladimir Putin, desmentiu ao homólogo norte-americano, Donald Trump, no telefonema que mantiveram na segunda-feira, a partilha de dados dos serviços de informações de Moscovo com o Irão, segundo o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff.

"Ontem [segunda-feira], na chamada com o Presidente [Trump], os russos disseram que não estavam a partilhar informações", declarou Witkoff em entrevista à estação televisiva CNBC, acrescentando: "Podemos acreditar na palavra deles".

A conversa telefónica entre Trump e Putin ocorreu depois de vários 'media' norte-americanos, entre os acuais o The Washington Post e a CNN, terem noticiado que a Rússia estava a fornecer dados dos seus serviços de informações aos seus aliados iranianos sobre a localização e movimentação de tropas, navios e aeronaves dos Estados Unidos no Médio Oriente.

Anteriormente, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, recusou-se a comentar o assunto quando foi questionado na sua conferência de imprensa diária.

Sobre a chamada de segunda-feira, Trump comentou que foi "muito boa" e que Putin "quer ajudar na questão do Irão", referindo-se aos bombardeamentos iniciados em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, que retaliou com ataques aéreos contra instalações militares norte-americanas na região.

De acordo com Yuri Ushakov, conselheiro do Kremlin (presidência russa), Putin apresentou a Trump "várias propostas para uma solução política rápida" do conflito iraniano.

A conversa, a primeira entre os dois líderes em 2026, durou cerca de uma hora e foi "franca e construtiva", relatou Ushakov.

O líder russo manifestou o seu "apoio inabalável" à República Islâmica na segunda-feira, após a nomeação do novo líder supremo Mojtaba Khamenei, em substituição do seu pai, Ali Khamenei, no primeiro dia dos bombardeamentos israelo-americanos em Teerão.

Já hoje, Vladimir Putin pediu uma "rápida desescalada" do conflito no Médio Oriente, durante uma conversa telefónica com o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, segundo um comunicado do Kremlin.

Esta é a segunda conversa telefónica entre Putin e Pezeshkian em cinco dias.

O Irão é um dos principais parceiros de Moscovo e um dos poucos países que forneceram armamento para as forças russas na invasão da Ucrânia, sobretudo através da transferência de drones Shahed e da respetiva tecnologia de produção, utilizados contra território ucraniano.

Os mesmos drones têm sido usados por Teerão para atacar bases norte-americanas no Médio Oriente desde o início do atual conflito na região.

Os Estados Unidos participam também nas negociações trilaterais com Moscovo e Kiev para terminar o conflito na Ucrânia, enquanto a parte russa pressiona Washington para aliviar as sanções sobre os seus produtos petrolíferos.

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira que iria suspender sanções sobre o comércio de petróleo contra "certos países", numa altura em que o preço do barril disparou devido à nova guerra no Médio Oriente.

O chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu, por seu lado, aos Estados Unidos e ao Ocidente que não aliviem as sanções contra Moscovo, aplicadas desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

"Seria, sem dúvida, um golpe sério. Para nós, seria um golpe do ponto de vista das armas [que a Rússia poderia fabricar com as receitas petrolíferas]) e, para o mundo, seria um golpe muito sério na sua imagem. Como é possível suspender as sanções contra a Rússia se ela é a agressora?", questionou, apesar de acreditar que Washington não fará este tipo de concessões a Moscovo.

Zelensky disse ainda que a Rússia espera lucrar com a flutuação dos preços do gás e do petróleo, vendendo os seus recursos naturais em condições mais favoráveis.

Anteriormente, Washington anunciou que permitiria à Índia comercializar petróleo russo retido no mar durante 30 dias.