Países viram-se para reservas ou limitação de preços para conter combustíveis
A subida dos custos da energia decorrente dos ataques de EUA e Israel no Irão levaram vários países a tomarem medidas para conter o impacto junto dos consumidores, como a limitação dos preços ou a utilização de reservas estratégicas.
Na Europa, a Croácia anunciou uma limitação dos preços da gasolina e do gasóleo a partir de terça-feira, algo que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, anunciou que fará a partir da meia-noite local.
Em Portugal, o Governo avançou com uma redução temporária e extraordinária de 3,55 cêntimos por litro no ISP aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário.
Hoje, falando aos jornalistas em Bruxelas, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento explicou estar previsto que, quando o preço do gasóleo suba mais de 10 cêntimos face ao referencial da passada sexta-feira, o Governo devolva o adicional de receita do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), "como já está a devolver hoje".
Tal desconto pode aplicar-se à gasolina, mas apenas "se vier a ultrapassar os 10 cêntimos [...] com referência ao preço a 06 de março", adiantou.
Do outro lado do Golfo, a Coreia do Sul, que importa 70% do seu petróleo do Médio Oriente, anunciou hoje "um sistema de limitação dos preços dos produtos petrolíferos", noticia a agência France-Presse (AFP).
A também asiática Tailândia fixou um limite para o preço do gasóleo por 15 dias.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Pelo estreito de Ormuz passam cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL).
Após uma reunião, os ministros das Finanças do G7 disseram hoje que estão prontos "para tomar todas as medidas necessárias", admitindo recorrer às reservas estratégicas para estabilizar o mercado. Ainda assim, o ministro da Economia de França, Roland Lescure, disse que ainda não se chegou a esse ponto.
Do lado de Bruxelas, a Comissão Europeia afastou o risco de uma "escassez iminente de abastecimento de petróleo" no continente.
O Japão, quinto maior importador de petróleo bruto, pondera recorrer às suas reservas nacionais. O arquipélago conta com reservas equivalentes a 254 dias de consumo de petróleo bruto - incluindo reservas detidas pelo setor privado - e três semanas de consumo de gás natural liquefeito.
Taiwan assegurou o abastecimento para março e abril, com o executivo local a estabelecer como objetivo "manter os preços o mais estáveis possível".
Além do "sistema de limitação dos preços", Seul também garantiu uma "entrega de emergência" de quatro milhões de barris de petróleo bruto através dos portos dos Emirados Árabes Unidos, sem necessidade de passar pelo estreito de Ormuz.
Paris, que nesta fase afasta subsidiar os preços nas bombas ou uma redução dos impostos sobre produtos petrolíferos - incluindo IVA - realiza entre hoje e quarta-feira mais de 500 inspeções em postos de combustíveis para fiscalizar e combater aumentos abusivos dos preços.
Mas se, por um lado, há países que tentam aumentar as suas reservas, outros preveem limitá-las.
A China pediu às suas refinarias para suspenderem as exportações de gasóleo e gasolina. Noutros países a estratégia é semelhante: a Tailândia, que na semana passada declarou que tinha garantido o abastecimento de petróleo para dois meses, suspendeu as exportações para preservar as reservas, enquanto a Sérvia anunciou a proibição das exportações de petróleo e combustíveis nos próximos 10 dias.
Face à ameaça de escassez no continente Europeu, o Presidente russo, Vladimir Putin, garantiu hoje estar disponível para fornecer petróleo e gás aos países do continente que se declararem a favor de "uma colaboração duradoura e estável" com Moscovo, que continua em guerra com a Ucrânia.
Orban, próximo de Putin, pediu à UE para suspender as sanções contra os hidrocarbonetos russos.
Por sua vez, a Índia continua a importar petróleo russo, com o executivo a dizer que o país dispõe de reservas energéticas suficientes, embora admita "medidas progressivas" para atenuar o impacto.
O gigante asiático conta com reservas para entre sete a oito semanas de consumo.
No Vietname, o Governo anunciou que prepara um decreto para reduzir a taxa alfandegária sobre a importação de combustíveis para estabilizar o mercado interno e garantir a segurança energética.
No Camboja, com reservas para três semanas, os preços foram aumentados por três dias, enquanto nas Filipinas os serviços públicos passaram a operar em semanas de trabalho de quatro dias, pretendendo, assim, reduzir o consumo de combustível e eletricidade entre 10 a 20%.
Myanmar e Bangladeche começaram a aplicar medidas de racionamento de combustíveis.