Como se escolhe um líder supremo e quem são os favoritos se prevalecer regime teocrático
A República Islâmica iraniana vai ter de eleger, em plena guerra e se o regime teocrático prevalecer, um novo líder supremo depois da morte de Ali Khamenei, num ataque dos Estados Unidos e de Israel.
Embora vários nomes sejam mencionados, não há um favorito claro para as funções de um líder supremo do Irão, que é a mais alta autoridade política do país.
Ao líder supremo cabe-lhe definir as políticas gerais da República Islâmica e nomear altos cargos, como o comando das Forças Armadas, o presidente do Poder Judicial, o diretor da televisão pública ou o comandante-em-chefe dos poderosos Guardiões da Revolução, de acordo com a Constituição do país.
Também escolhe diretamente metade dos membros do Conselho de Guardiões, órgão que aprova ou veta os candidatos --- a outra metade é nomeada pelo chefe do Poder Judicial, que também é escolhido pelo líder supremo --- e assina, de facto, o decreto que formaliza a eleição de um Presidente.
O artigo 111 da Constituição iraniana estabelece que o líder supremo da República Islâmica é nomeado "no menor tempo possível" pela Assembleia de Peritos, um órgão formado por 88 clérigos eleitos por sufrágio direto a cada quatro anos. A última eleição ocorreu em março de 2024.
A eleição do líder exige a maioria dos votos dos representantes presentes na sessão, ou seja, metade mais um.
Enquanto é escolhido um novo líder, prevê-se a formação de um conselho que assume provisoriamente a liderança do país, atualmente composto pelo Presidente, Masud Pezeshkian, pelo chefe do Poder Judicial, Golamhosein Mohseni Eyei, e por um membro do Conselho de Guardiões, neste caso o 'ayatollah' Alireza Arafi.
A sucessão de um líder ocorreu apenas uma vez, em 1989, após a morte do fundador da República Islâmica e primeiro líder, o ayatollah Ruhollah Khomeini.
Na altura, Khamenei foi escolhido, apesar de não ser o favorito, tendo ocupado o cargo durante 36 anos, até ter sido morto no sábado.
Atualmente, também não há um favorito, mas vários analistas, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE, apontam quatro nomes, em que um é neto do fundador da República Islâmica e outro filho do 'ayatollah' Ali Khamenei.
Alireza Arafi é membro do comité de liderança provisória, mas é apontado como possível sucessor. É atualmente presidente do Centro de Gestão dos Seminários Islâmicos do país, membro do Conselho de Guardiões e segundo vice-presidente da Assembleia de Peritos.
Meios iranianos descreveram Arafi como um cruzamento entre autoridade religiosa e influência política que define a estrutura de poder do Irão, mas alegadamente não tem ligações com as Forças Armadas.
O segundo nome, Mohammad Mehdi Mirbageri, com cerca de 60 anos, tem sido mencionado ao longo dos anos. Clérigo ultraconservador, é opositor do Ocidente. Dirige atualmente a Academia das Ciências Islâmicas na cidade sagrada de Qom.
Outra personalidade falada é a de Hassan Khomeini, de 53 anos, neto do fundador da República Islâmica. É guardião do Mausoléu de Khomeini, nos arredores de Teerão, e nunca ocupou cargos de relevo no país.
Considera-se um moderado e tem apoiado políticos dessa corrente, na defesa de uma abertura controlada do país. Nas semanas anteriores à guerra, foi visto em vários atos públicos.
Por último, fala-se também de Moytaba Khamenei, de 56 anos, filho do falecido líder, é apontado há anos como possível sucessor. É atribuída grande influência política e junto de forças armadas como a Guarda Revolucionária, mas uma eventual sucessão hereditária joga contra Moytaba.