Luso-venezuelanos veem na abertura petrolífera oportunidades de investimentos locais e bilaterais
Caracas reformou a Lei de Hidrocarbonetos para permitir uma maior participação de empresas privadas nacionais e estrangeiras, uma abertura que a comunidade luso-venezuelana vê como uma oportunidade para investimentos de empresários locais e de Portugal.
"E essa é a esperança que temos para os próximos meses. O petróleo, na Venezuela, não é só uma fonte de riqueza, também é de trabalho e de atividade para muitas indústrias. A abertura petrolífera tem muitas qualidades [potencialidades] e pode realmente premiar muito bem toda a indústria. É isso que estamos a esperar", disse o presidente da Câmara de Industriais do Estado de Lara.
Gil Alberto Lemos falava à agência Lusa na cidade de Barquisimeto, à margem de um encontro com empresários, promovido pela Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio, Indústria, Turismo e Ains (Cavenpor), que decorreu no Centro Luso-Larense, 370 quilómetros a oeste de Caracas.
Representante da Fundição Lemos Barquisimeto (FLB), o empresário explicou que a grande imigração portuguesa local tem atividades no setor do comércio, padarias, supermercados, mas há empresas de metalomecânica e de outras áreas que são muito importantes.
"E Portugal também tem muitos produtos na área mecânica e de moldes de plástico que podem ser importantes para a indústria venezuelana. Por isso as câmaras de comércio têm a responsabilidade muito grande de unir o comércio entre os dois países", disse.
Como exemplo, referiu que a FLB "importa de Portugal ferramentas de corte, que são muito boas e muito superiores às americanas, colombianas ou espanholas", sublinhando que "são grandes fabricantes de moldes e matrizes para a indústria do plástico" e "os portugueses têm muita fama disso".
Por outro lado, "a Venezuela está a entrar numa etapa de crescimento" e há "um otimismo muito bem fundamentado desse crescimento que pode haver nos próximos meses e anos".
"A indústria venezuelana pode ser um fornecedor importante para a indústria portuguesa. E Portugal também da Venezuela", disse.
Odília Sousa, presidente do Centro de Luso-Larense, sublinha que a comunidade lusa local continua na disposição de apostar no crescimento da Venezuela.
"Havia um processo de recessão económica, mas esta abertura petrolífera, percebo que está reavivando essa energia positiva no empresariado luso da Venezuela", disse. "Eu aplaudiria uma aproximação que nos faz falta para que apesar da distância possam sentir que estamos próximos de Portugal e que Portugal está próximo da Venezuela", acrescentou.
O cônsul honorário de Portugal em Barquisimeto, Ivo da Conceição Gomes Serrão, explicou à Lusa que "neste momento a comunidade portuguesa tem muitas esperanças".
"É uma comunidade trabalhadora que sempre pensa em positivo. É lutadora, e sempre vai para frente, que sempre acredita no futuro do país. A Venezuela, por outro lado, é um grande país, imenso e com possibilidades bastante boas", disse.
Explicou que a com a reforma da Lei de Hidrocarbonetos vai haver uma abertura petrolífera e isso representa grandes possibilidades.
"Portugal, é um país pequeno, mais com uma grande tecnologia, e indústrias grandes, que pode participar nesta abertura e fazer um intercâmbio comercial bastante interessante, na qual a comunidade portuguesa e as companhias portuguesas poderiam participar. A Venezuela tem grandes oportunidades de investimentos. Há empresas de Portugal que podem vir investir e muitos produtos que se pode levar para Portugal", disse.
Por outro lado, recordou que além de frutas tropicais, a Venezuela tem minerais, argila branca para cerâmica, sílex de qualidade excecional para refratários, para fornos.
"O grande desafio é redescobrir juntos essas potencialidades que a Venezuela", frisou.