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Situação mantém-se crítica em Portugal continental, alerta Proteção Civil

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FOTO PAULO NOVAIS/LUSA

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou hoje que apesar do desagravamento meteorológico das últimas horas "a situação continua bastante crítica" em relação a risco de cheias, pela saturação de solos e albufeiras em níveis máximos.

"Eu quero alertar toda a população portuguesa que a situação continua bastante crítica, com todas as albufeiras nos seus níveis máximos de armazenamento, e, portanto, estas condições meteorológicas para o final do dia de hoje, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira, quando está previsto mais um episódio meteorológico [que] poderá ter alguma severidade, continuam a ser críticas e a manter-nos todos em profunda situação de alerta", disse o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre.

No 'briefing' das 12:00 sobre o ponto de situação na prevenção e apoio às zonas e populações afetadas pelo mau tempo, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (distrito de Lisboa), o comandante nacional alertou para novo agravamento a partir do final da tarde de hoje e para a possibilidade de precipitação forte nos distritos litorais do continente até Aveiro, "que poderá ser para aviso amarelo em algumas zonas".

"Este aparente desagravamento da situação meteorológica durante o dia de hoje não significa uma passagem do risco. Portanto, nós continuamos com risco elevado devido às inundações, não é a precipitação em si ou os fenómenos de precipitação, não é a chuva que nos vai causar problemas significativos, é a saturação dos solos e as zonas que já estão inundadas", explicou o comandante nacional.

Às 12:00 de hoje a Proteção Civil registava 11.213 ocorrências desde as 16:00 de 01 de fevereiro (domingo passado) e pelo menos 1.272 deslocados desde as 16:00 de 27 de janeiro (chegada da depressão Kristin a Portugal), sobretudo devido a deslizamentos de terras, "a situação que mais desalojados está a criar", sublinhou Mário Silvestre, que pediu especial atenção das populações a eventuais situações de risco.

O risco mais significativo de inundações regista-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, sendo que no Tejo o plano especial para as cheias se mantém no nível vermelho. Mário Silvestre adiantou também que há oito planos distritais de proteção civil ativados e 92 municipais, e 19 situações de alerta por parte dos municípios.

A Proteção Civil mantém-se em nível de prontidão máximo (nível 4) até às 23:59 de segunda-feira, altura em que será feita uma reavaliação desse nível para os dias seguintes.

O fornecimento de energia ainda não foi restabelecido para 76 mil pessoas, segundo números da E-Redes de hoje de manhã, e Mário Silvestre referiu que, desses, 66 mil são consequência direta da passagem da depressão Kristin pela zona centro.

Mário Silvestre voltou a reforçar recomendações de prevenção e proteção às populações, apelando para que se mantenham longe dos cursos de água e que não atravessem zonas inundadas, nem de carro nem a pé, sublinhando que 30 centímetros de água são suficientes para provocar o arrastamento de pessoas.

O responsável apelou para que se alertem as autoridades para situações de fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou deslizamentos de terras.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também várias centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.