BE questiona Governo sobre saída do país do comandante da Protecção Civil
O BE questionou hoje o Governo sobre a saída do país do comandante da Proteção Civil durante a tempestade Kristin, mas também sobre uma mensagem de campanha partidária enviada pelo secretário de Estado da Administração Interna.
Numa pergunta dirigida ao Ministério da Administração Interna, o deputado único bloquista, Fabian Figueiredo, lembra que a tempestade Ingrid atingiu o país a 23 de janeiro, provocando uma vítima mortal, e que "apesar deste andecedente crítico e da chegada iminente da tempestade Joseph", o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, esteve em Bruxelas entre os dias 26 e 28 para uma formação.
"Embora o comandante tenha alegado que o briefing do IPMA de 25 de janeiro nada antevia sobre a Kristin, a verdade é que o país já estava sob o efeito de sucessivas frentes", argumenta o bloquista.
Na quarta-feira, o comandante nacional da Proteção Civil recusou que a sua ausência do país na semana passada tenha tido qualquer impacto nas decisões tomadas para fazer face à depressão Kristin e avançou que foi comunicada ao presidente da entidade.
Contudo, Fabian Figueiredo quer saber como é que a tutela justifica a saída do país e se a ministra, Maria Lúcia Amaral, foi avisada e se autorizou a saída.
No plano político, Fabian Figueiredo visa ainda a conduta do secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Ribeiro, que no dia 28 de janeiro, enquanto decorria a tempestade Kristin, "utilizou canais de comunicação para promover a sua recandidatura partidária à distrital do PSD de Setúbal".
"Este comportamento, justificado com um alegado envio "automático", revela uma falha na gestão de prioridades num momento em que a estrutura da Administração Interna e da Proteção Civil deveria estar absolutamente concentrada na mitigação de riscos e no apoio às populações", argumenta o deputado.
O bloquista questiona a ministra sobre este episódio mas também sobre as qualificações deste governante para o cargo que ocupa, afirmando que o secretário de Estado "possui um percurso académico e profissional somente na área jurídica e na contratação pública".
Fabian Figueiredo quer ainda saber que medidas de "reforço da competência técnica e da prontidão de liderança foram ou serão tomadas para garantir que, em futuros cenários de emergência ou gestão de risco, a estrutura de comando não seja deixada em regime de substituição ou de distanciamento geográfico".
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.