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Comunidades Madeira

“Preso fantasma” já descansa em casa

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Foto DR/Arquivo

A família confirmou apenas que “já está em casa”. Foram as únicas palavras possíveis num momento de grande emoção, marcado pelo alívio e pelo agradecimento a todos quantos, de forma persistente, ajudaram a manter a pressão junto do Governo venezuelano para que Jaime Macedo, madeirense de origem, com família no Campanário, pudesse finalmente recuperar a liberdade.

A confirmação do regresso a casa encerra meses de silêncio, angústia mas também de muita, muita incerteza em torno daquele que ficou conhecido como o “preso fantasma”, detido sem explicações claras e mantido longe da família.

A libertação surge como resultado de uma conjugação de esforços diplomáticos, pressão internacional e da mobilização contínua de activistas, amigos e defensores dos direitos humanos que nunca deixaram cair o caso no esquecimento.

Apesar da emoção do reencontro, a família sublinha que o processo deixou marcas profundas. Jaime encontra-se ainda a recuperar do impacto psicológico da detenção, num ambiente de protecção e recolhimento familiar, longe da exposição pública e a descansar.

Este desfecho, embora positivo, não apaga a gravidade do que aconteceu. A detenção de Jaime foi desde o início apontada como um ato de perseguição política indirecta, pelo simples facto de ser familiar de uma conhecida defensora dos direitos humanos. Um caso que continua a ser citado como exemplo da repressão exercida pelo regime venezuelano.

A libertação de Jaime devolve esperança, mas reforça também a exigência de justiça para todos os que permanecem presos por motivos políticos. A pressão internacional, sublinham os que acompanharam o processo, tem de continuar até que nenhum cidadão seja privado da liberdade por pensar diferente ou por ter laços familiares com vozes incómodas ao poder.

Há momentos, após a libertação de Jaime Macedo outros familiares de presos políticos contactaram o DIÁRIO no sentido de perceberem se o nosso jornal teria mais informações de mais libertações de presos políticos, o que diz bem da ansiedade que vivem estas famílias mas igualmente da escassa informação que também têm.