Protecção Civil eleva estado de prontidão para o nível máximo
O comandante nacional de emergência e proteção civil alertou hoje para a situação meteorológica "muito complexa" prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.
"Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível", afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações para que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.
Segundo referiu, tendo em conta os efeitos provocados pela depressão Kristin, estruturas e árvores "poderão sofrer alguma queda", o que faz com que se "continue a ter um problema" nas zonas que foram mais fustigadas pelo vento na última semana.
Mário Silvestre referiu ainda que a queda de neve poderá chegar a uma acumulação de 25 centímetros acima dos 1.600 metros e a 10 a 15 centímetros acima dos 1.000 metros.
"Tudo isso forma um `cocktail´ complexo do ponto de vista da resposta", reconheceu o comandante nacional de emergência e proteção civil, ao salientar que as bacias e albufeiras que estão com níveis mais elevados -- e que mais preocupam neste momento - são as dos rios Douro, Vouga, Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado.
O facto de os solos estarem muito saturados de água faz com que uma saída dos rios dos seus leitos normais possa atingir "velocidades de escoamento superficiais bastante significativas", o que deve constituir mais um alerta para as populações, salientou Mário Silvestre.
Referiu ainda que existe o "risco elevado" de inundações urbanas, porque a precipitação poderá ser bastante forte em cidades como Lisboa, sobretudo, nas zonas historicamente mais afetadas, referiu.
Perante essas previsões, vão continuar os pré-posicionamentos de meios dos agentes da Proteção Civil nas zonas que poderão ser mais atingidas, como no Douro, no Vouga, no Tejo e no Sorraia.
"Aqui será o potencial maior onde teremos de ter um conjunto de forças mais disponíveis", incluindo embarcações, equipamentos de bombagem de alta capacidade e meios de socorrer as populações em caso de necessidade, adiantou o comandante nacional de emergência e proteção civil.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.