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Sociedade civil portuguesa exige libertação de Maduro e fim da ingerência dos EUA

Carta aberta subscrita por 39 associações insurge-se contra a agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela

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Cerca de quatro dezenas de organizações da sociedade civil portuguesas exigiram hoje ao Presidente norte-americano, Donald Trump, a libertação imediata de Nicolás Maduro e da mulher Cília Flores, e o fim da ingerência dos EUA na Venezuela.

Numa carta aberta enviada às redações, dirigida a Trump, as 39 associações sustentam que a agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela, a 03 de janeiro, e o sequestro de Maduro e respetiva mulher "merecem a mais veemente condenação" e "constituem uma clara violação dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional".

"Exige-se o fim das ameaças, da ingerência e da agressão dos Estados Unidos à Venezuela, assim como a outros países da América Latina e das Caraíbas, reclama-se a libertação de [...] Maduro e da deputada Cília Flores, e insta-se ao cumprimento dos princípios do direito internacional", lê-se no documento, que será entregue quinta-feira, às 11:00, na embaixada norte-americana em Lisboa.

As 39 organizações não-governamentais, entre elas o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e quase duas dezenas de organizações indicais, afirmam-se "solidárias com a luta dos trabalhadores e do povo venezuelano e de outros povos pela sua soberania e direitos, nomeadamente pelo direito a viver em Paz".

"São [também] condenáveis as ameaças de agressão militar ou as pressões a outros países, como Cuba, Colômbia, México, Nicarágua ou Brasil, que revelam as intenções dos Estados Unidos de imporem o seu domínio sobre toda a América Latina e as Caraíbas e de explorar e saquear os seus recursos", acrescentam os signatários.

Para as 39 associações e organizações da sociedade civil de Portugal, há vários anos que os Estados Unidos, independentemente de alterações na sua administração, "seguem uma política de ingerência e agressão -- incluindo com a imposição de um bloqueio económico e do roubo de ativos -- contra a Venezuela bolivariana pelo que esta traduz de defesa de soberania e de direitos para o povo venezuelano, mas também para os povos de todo o mundo".

"O que os EUA pretendem é instalar na Venezuela um governo que funcionaria como marionete, para se apoderarem, de novo, dos imensos recursos naturais deste país, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e é rico em gás natural, ouro, água doce e diversos minerais raros de grande utilização industrial, pondo em causa os seus direitos sociais e laborais, o seu desenvolvimento e a sua soberania", explicam.

No seu entender, são estas as razões subjacentes ao ataque norte-americano à Venezuela, "e não quaisquer falsas e hipócritas" alegações à "democracia" ou ao "narcotráfico", que move os Estados Unidos no que concerne à Venezuela e aos outros países da América Latina.

"Denunciando a tentativa de branquear e banalizar estas inaceitáveis ações de ingerência e de agressão nas relações internacionais, exigimos o respeito dos princípios do direito internacional, consagrados na Carta das Nações Unidas e rejeitamos a ingerência, a agressão e a guerra, incluindo pela imposição de medidas coercivas unilaterais e o roubo de recursos", concluem os signatários.

Entre as 39 organizações figuram a Associação de Amizade Portugal-Cuba, a CGTP-Intersindical, Federação Nacional dos Professores, União de Resistentes Antifascistas Portugueses, que adiantam que "a solidariedade com a Venezuela, com Cuba e com todos os povos alvo de agressão" norte-americana estará presente na manifestação marcada para 14 de março, que decorrerá em Lisboa e no Porto, às 15:00.